EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Sinceridade de Sampaoli assusta

Argentino rejeita pressão da torcida e mantém independência

O Santos reagiu com rapidez após a eliminação na Copa do Brasil. Contra o mesmo Atlético-MG que o havia desclassificado, o time santista ganhou por 3 a 1, no domingo (9), e subiu para a vice-liderança do Brasileiro. Entretanto, a vitória ficou em segundo plano quando Jorge Sampaoli começou a falar. Após a partida, ele disse verdades duras, mas que têm fundamento e merecem reflexão por parte do torcedor.

Sobre os protestos por causa da eliminação na Copa do Brasil, que se seguiram mesmo com a vitória de domingo confirmada, o argentino defendeu que atitudes como essa desgastam a relação e abreviam a passagem dos treinadores. E não foi só isso. Perguntado sobre as três desclassificações na temporada, ele salientou que se recusa a ganhar de qualquer jeito e que vai manter seu estilo de jogo arrojado, em que pesem o risco a correr e as derrotas passadas.

Outro ponto delicado em que o treinador tocou foram as chances de título. Sincero como poucos, Sampaoli afirmou que as do Santos são pequenas, pois adversários como Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro têm trabalhos mais duradouros e elencos mais numerosos. De fato, os adversários são mais fortes. Mas agora, apenas com o Brasileiro no horizonte, o Santos, vice-líder, tem a obrigação de encarar cada partida como decisão de Copa do Mundo e chegar o mais longe possível. Pelo que vimos até agora, se o título está distante, é possível ficar entre os primeiros.

Em um futebol viciado e mal-administrado como o brasileiro, Jorge Sampaoli quebra paradigmas com seu jeitão outsider. Ele não é um gênio, mas a sua independência é digna de elogios. Mais do que isso: fazendo aquilo em que acredita e dando as costas para o que reprova, ele serve de exemplo para os nossos treinadores, que entraram em um círculo vicioso dos quais se tornaram as principais vítimas.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.