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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Só Neymar pode salvar o Neymar

Envolvido em nova confusão, o craque precisa retomar a essência e realmente querer mudar para dar a volta por cima

De novo, novamente, mais uma vez (desculpe, caro leitor, mas a redundância é proposital), Neymar é notícia no mundo. Ao invés de ser manchete por marcar um gol de placa, por uma atuação magistral ou pela conquista de um título importante, o atacante volta a ficar na boca do povo por se meter em confusão.

Desde aquele famoso chilique, em setembro de 2010, na Vila Belmiro, quando   xingou o técnico Dorival Júnior e companheiros do Santos, após receber a ordem do treinador para não bater um pênalti contra o Atlético-GO, Neymar coleciona encrencas. Dentro e fora do campo.

A atitude, encarada à época por uns como um repente de imaturidade do moleque bom de bola, foi interpretado por outros como um sinal de que Neymar precisava de limites. “Estamos criando um monstro”, bradou Renê Simões, técnico do Atlético-GO, ao comentar o show de má educação do habilidoso atacante.

O problema é que, dali em diante, o jovem craque se notabilizou não somente pela rara qualidade técnica e faro de gol aguçado. Foi colecionando episódios que deixam o seu currículo repleto de asteriscos.

A nebulosa saída do Santos, em 2013, e a posterior forçada transferência do Barcelona para o Paris Saint-Germain, em 2017, são alguns dos piores momentos na carreira do astro. Problemas com o fisco, no Brasil e na Espanha, também marcaram negativamente o lado extracampo do jogador. 
Saudades do Barcelona...

A ida para o futebol francês exacerbou o ego já inflado do ex-menino da Vila. Para fugir da sombra de Messi, Neymar buscava iniciar o seu próprio reinado no PSG. Só que a aposta não poderia ter sido pior.

Se ficou ainda mais milionário, Neymar escolheu um time de pouca história. Que disputa um campeonato sem sal. Ganhar o Campeonato Gaúcho ou o Mineiro é mais difícil do que levantar a taça no Campeonato Francês.

No PSG, Neymar deu passos para trás em sua carreira. Em pouco tempo tretou com Cavani, ídolo da torcida. E em dois anos pouco fez pelo time, a não ser a obrigação de ser campeão na França.

Nos momentos decisivos, quando o time precisava dele na Liga dos Campeões, não jogou por estar lesionado. Talvez ele próprio não reconheça, mas Neymar era muito mais feliz no Barcelona. Mesmo como coadjuvante de Messi.

Na Seleção, o camisa 10 já coleciona e divide fracassos com o Brasil em duas Copas do Mundo. Da última, na Rússia, virou meme, zoado por suas quedas coreografadas.

O monstro anda à espreita

A vida de celebridade, que se intensificou após a transferência para a Europa, deixou aberta a fronteira dos limites para o menino paparicado desde os tempos em que jogava na base do Santos. Para Neymar, o pai, porém, o filho não é mimado. Imagine se fosse...

Ir a festas, curtir a vida de famoso e namorar beldades faz parte do cotidiano das grandes estrelas. Nada contra. Mas chegar ao treino da Seleção Brasileira em seu próprio helicóptero é algo que não se conecta ao espírito coletivo de defender um País.

Neymar se acostumou à vida de ostentação. De viver cercado por gente que o idolatra e o apoia em qualquer situação. Por isso, por mais pisadas na bola que dê, tem sempre a certeza de estar com a razão. Não há senso crítico, não há reflexão sobre a dimensão de suas atitudes, na vida real e na “vida” virtual. Não há limites.

O soco (fraco, mas um soco) no rosto de um torcedor rival e as críticas a companheiros de PSG já são problemas do passado.  A nova confusão envolve suposto estupro, divulgação de nudes da acusadora nas redes sociais para milhões de seguidores (crianças, inclusive) e um enredo rocambolesco/policial que vai se desenrolar como uma série. Real e virtual.

Neymar precisa de ajuda. Não de paparico, mas de ajuda. O vício da fama o pegou. De jeito. E tenta arrastá-lo para o fundo do poço, com a conivência de muitos do que o cercam.

Neymar tem que recuperar a essência daquele moleque bom de bola que nasceu com um talento nato. E raro. Neymar precisa cair na real e focar na sua carreira de jogador de futebol. Tem que ter a determinação de Cristiano Ronaldo e a humildade de Lionel Messi, os melhores.

Aquele monstro, do qual Renê Simões falou há nove anos, anda à espreita. Tal qual um viciado, Neymar precisa reconhecer o problema. E querer realmente mudar. Só Neymar pode salvar o Neymar.

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