Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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Precisamos de um meio-termo no futebol brasileiro

Entre o Flamengo de 2019 e o Palmeiras de 2020/2021 está o caminho que devemos seguir para evoluir em campo

O Flamengo de 2019 ganhou o Campeonato Brasileiro dando show. O Palmeiras da temporada 2020/2021 conquistou a Libertadores a fórceps. A alegria pelo bicampeonato sofreu um arranhão profundo no Mundial com a derrota para o Tigres, menos pelo resultado e mais pela forma. Nada que tire o orgulho do torcedor palmeirense pelo título continental, mas que leva à velha reflexão: por que times que praticam o bom futebol, mesmo entre os campeões, são exceção no Brasil?

O Palmeiras é o clube mais organizado e talvez o mais rico do País. O bicampeonato da Libertadores é mérito de uma agremiação que soube sair dos escombros e se levantou para viver mais um período vencedor de sua história. O futebol apresentado, porém, quase sempre foi pobre. A final da Libertadores, contra um Santos que tampouco mereceu  ganhar, foi uma prévia do duelo com o Tigres. Muita cautela, muito lançamento longo e praticamente nada de criatividade. Precisa ser assim contra um time bom, como os mexicanos, mas que está longe de ser o Bayern de Munique? 

Não precisa. Assim como não se pode cobrar que o Flamengo de Jorge Jesus vire o padrão. Aquele time foi único. O que jogadores, técnicos e críticos têm que ter em mente é que dá para encontrar um meio-termo e jogar um futebol digno, bem jogado, franco. Um futebol em que as partidas ruins sejam a exceção, não a regra.

O Corinthians de Carille não era diferente, assim como o Palmeiras de Felipão. Todos vencedores, todos competentes. Mas quando eles passam a ser a referência, temos uma final brasileira de Libertadores que mais parecia um jogo da Série C. O São Paulo de Fernando Diniz foi uma esperança que naufragou miseravelmente, com tropeços inaceitáveis. Contudo, trata-se de um treinador ainda em início de carreira, com tempo para se reciclar e entender os erros, e de um clube cujos dirigentes o sabotam há mais de dez anos. Dificilmente a revolução que se espera sairá do Morumbi.

Abel Ferreira reclama da maratona de jogos que teve de enfrentar desde que chegou ao Palmeiras. Foram 28 partidas em 14 semanas, ou seja, dois jogos por semana e praticamente nada de tempo para treinamentos. A justificativa, porém, seria válida se o time tivesse apresentado um futebol ao menos razoável. À exceção da vitória por 3 a 0 sobre o River Plate na Argentina, o Palmeiras mais lutou do que jogou.

Mesmo com todos os problemas, como a pandemia, a falta de dinheiro e a incompetência dos dirigentes, além da impaciência de boa parte dos torcedores e da crítica, temos que melhorar. É possível, já fizemos melhor no passado e temos como fazer de novo.

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