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Terça-feira

10 de Dezembro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Paulo Autuori não para em lugar nenhum

De saída do Santos, o dirigente costuma ficar pouco tempo nos clubes

Para a surpresa de poucos, Paulo Autuori anunciou no começo da semana que não vai ficar no Santos para 2020. Para justificar a decisão, ele citou divergências com o presidente José Carlos Peres, que gostaria de ver o problemático Cueva jogando e que seria favorável ao afastamento de Gustavo Henrique, pela dificuldade na renovação de contrato.

As alegações podem fazer algum sentido, assim como a previsão de dificuldades financeiras  e o próprio comportamento contraditório de Peres. Porém, não dá para ignorar que Paulo Autuori não fica muito tempo em lugar nenhum. Foi assim como treinador, é assim como dirigente.

A grande rotatividade, às vezes provocada por demissões, é verdade, talvez seja a responsável por Autuori ter quatro títulos importantes na carreira, mas pouca ou nenhuma identificação com clube algum. Como treinador, ele soma duas Libertadores (por Cruzeiro e São Paulo), um Mundial de Clubes (São Paulo) e um Brasileiro (Botafogo). As conquistas, entretanto, não se traduziram em continuidade. No São Paulo, por exemplo, ele optou por sair ao receber convite do futebol japonês justamente em 2005, ano em que o clube viveu seu período mais vencedor dos últimos tempos.

Mais esclarecido do que a maioria de seus pares no Brasil, Autuori sempre passou uma imagem de ético e sério. De fato, nunca se ouviu nada que desabonasse o perfil dele em matéria de conduta e atitudes. Contudo, as passagens relâmpago que marcam sua trajetória impedem uma avaliação mais assertiva de suas capacidades como treinador ou diretor.

Em sua defesa, talvez Autuori alegue que não transige com princípios e que, se não concorda com o que vê, o melhor é ir embora. É um direito dele agir assim. Agora, experiente do jeito que é, ele fatalmente chegou ao Santos sabendo da situação do clube e da intempestividade do presidente. Portanto, fica difícil compreender mais um trabalho interrompido, não importam as justificativas.

Autuori é o quarto homem-forte do futebol em dois anos de Peres à frente do Santos. O número, preocupante, expõe a dificuldade de relação entre os contratados e o presidente. Que a partir de agora, ele reveja conceitos e escolha alguém que, além de capaz, não chegue com data marcada para partir.

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