Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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Palmeiras se endivida perigosamente

Apesar da situação próspera, clube se torna cada vez mais refém da patrocinadora

No futebol brasileiro, que cai aos pedaços por causa da  incompetência dos dirigentes, nem o que parece funcionar funciona de fato. O Palmeiras dos milhões e dos títulos nacionais já soma uma dívida de R$ 538 milhões, conforme relata o jornalista Paulo Vinícius Coelho em seu blog.

Embora na diretoria haja o entendimento de que a situação é administrável, uma vez que a receita anual do clube é de R$ 600 milhões, não dá para admitir um passivo tão alto. Principalmente se lembrarmos que, há pouco mais de dois anos, o então presidente Paulo Nobre deixou a casa em ordem.

Um complicador para o Palmeiras é também seu principal fiador. A Crefisa, que permite ao clube montar elencos recheados de opções renomadas para os treinadores, tem a receber R$ 174 milhões, pois, conforme determinação da Receita Federal, os jogadores contratados por ela não podem ser doados, e sim emprestados. Diante desse cenário, é impossível não lembrar do fim do casamento entre Palmeiras e Parmalat. Os anos de felicidade e vitórias chegaram ao fim quando a empresa vendeu os principais jogadores e foi embora, deixando o bagaço da laranja e o caminho aberto para a Série B em 2002.

Entretanto, esse seria o pior dos cenários. Muito mais estruturado do que no passado, o Palmeiras pode até derrapar quando a parceria com a Crefisa terminar, mas  chegar ao fundo do poço é hipótese remota. Contudo, convém não abusar da sorte.

Para 2020, em movimento que mostra ciência da situação, a diretoria tem mais vendido e emprestado do que comprado jogadores. Borja vai passar um ano tentando se valorizar no Junior Barranquilla. Artur e Gustavo Scarpa podem ser os próximos a sair. Isso sem falar em Fernando Prass, Antonio Carlos, Edu Dracena, Thiago Santos e Henrique Dourado, que, por diferentes motivos, saíram e aliviaram a folha de pagamento.

Outro sinal de prudência – e também de inteligência – está na intenção de maior aproveitamento das revelações feitas em casa. Na verdade, trata-se de medida natural, já que os times de base do Palmeiras estão há anos ganhando títulos. Gabriel Veron, melhor jogador do Mundial Sub-17, está aí para ser testado.

Além disso, o ano que está prestes a terminar evidenciou que, para apostar em Felipe Pires, Carlos Eduardo e mesmo em Lucas Lima, um dos piores custos-benefícios da história, vale mais pagar menos e arriscar em apostas racionais.

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