EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

20 de Janeiro de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

O santista aceitaria Rogério Ceni?

Em estilo, ele seria uma opção próxima a Jorge Sampaoli, caso o argentino deixe o Santos

A saída de Jorge Sampaoli do Santos não estava confirmada até a publicação deste texto, sexta-feira (6), por volta de 19 horas. Contudo, a essa altura do campeonato a permanência do argentino seria a surpresa do ano, dadas as circunstâncias. Dessa maneira, assim que apertar a mão do treinador e agradecer pelo bom trabalho realizado, o presidente José Carlos Peres já tem de buscar um substituto. Caso queira manter a linha de trabalho desenvolvida em 2019, o dirigente deveria pesar os prós e contras de trazer Rogério Ceni.

A passagem do ex-goleiro pelo Fortaleza foi, além de vitoriosa, reveladora. Sem nenhum grande jogador, mas com um estilo ofensivo e intenso, Ceni conquistou títulos e formou um time que deu trabalho a muita gente. O discurso do treinador também reflete as ideias de jogo interessantes que ele tem e que casam com o DNA ofensivo do Santos.

Provavelmente, Rogério Ceni vai buscar voos maiores a partir de agora. Ele estaria nas pretensões do Athletico-PR, mas essa concorrência o Santos, em tese, tem condição de encarar, uma vez que os paranaenses não costumam pagar salários milionários, como o que Sampaoli deve receber se for mesmo para o Palmeiras. Além disso, para Rogério, assumir um time como o Santos seria um prêmio.

Entretanto, tem o outro lado da moeda. Em primeiro lugar, a torcida do Santos aceitaria ver um ídolo do São Paulo à frente da equipe alvinegra? A meu ver, não haveria problema, pois Rogério sempre respeitou todo mundo. Nem no período mais vencedor como atleta ele deu declarações desmerecendo este ou aquele time. Mas torcedor é torcedor. Talvez, na primeira má fase o passado tricolor do treinador vire um peso a mais para ele.

O maior problema de Rogério, penso, é seu ego. Embora tenha sido sabotado pela diretoria, em sua experiência inicial no São Paulo, e pelos jogadores, quando resolveu assumir o problemático Cruzeiro, o ex-são-paulino mostra ter dificuldade de lidar com jogadores renomados em momentos de instabilidade. Por exemplo: no Cruzeiro, ele lamentou publicamente que a idade avançada da maioria do elenco era um entrave para o estilo rápido e intenso que  pretendia implantar. Trata-se de questão para se tratar com a diretoria e seus auxiliares, não em público, para queimar os veteranos. No Morumbi, Ceni  nunca engoliu o fair play de Rodrigo Caio, e fez questão de mostrar para todo mundo que não entendia como o zagueiro tomou uma decisão que favoreceu um adversário.

Enfim, o Santos pode buscar outro gringo ou mesmo um brasileiro. O primordial, porém,  seria manter o estilo que não trouxe títulos, é verdade, mas encheu os olhos em muitos momentos e pode terminar em conquistas caso tenha continuidade.

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.