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Sábado

17 de Agosto de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

O futebol brasileiro ganhou na loteria?

Reforços que desembarcam do exterior, com salários milionários, dão a falsa impressão de que o Brasil é a 'nova China'

Da noite para o dia, parece que o futebol brasileiro ficou milionário. Daniel Alves, Juanfran, Rafinha, Gabriel, Filipe Luís, Ramires, Henrique Dourado, Luiz Adriano. Quem não ganha mais de R$ 1 milhão por mês, como Daniel Alves e Gabigol, leva para casa, mensalmente, uma bolada perto do milhão de reais.

Até times que enfrentam perrengues financeiros, como o Santos, se aventuraram a fazer contratações milionárias este ano, que custam (e custarão) caro aos cofres do clube. Caso do encostado meia peruano Cueva, que ganha  R$ 600 mil mensais e vai fazer o Alvinegro pagar, a partir de 2020, cerca de R$ 26 milhões ao Krasnodar, da Rússia.

Especialistas em marketing esportivo apontam somente Flamengo e Palmeiras com as finanças em dia para cometer tais loucuras no mercado. Os dois têm de onde tirar para pagar os insanos salários aos atletas, diante da realidade de penúria dos clubes brasileiros.

Equacionamento de dívidas, patrocínios, programas sólidos de sócio-torcedor, arrecadação de bilheteria, venda de produtos licenciados e polpudas verbas de televisão estão entre as principais fontes de renda do alviverde paulista e do rubro-negro carioca.

Já o São Paulo, que fechou a contratação mais badalada do momento no futebol nacional, vai pagar cerca de R$ 1,3 milhão mensais a Daniel Alves. No entanto, semanas atrás, o clube estava com os salários do elenco atrasados.

O projeto do Tricolor é pagar R$ 800 mil de salários ao lateral-direito titular da seleção brasileira e bancar os R$ 500 mil restantes com ações de marketing. Para isso, a diretoria conta com o apoio da empolgada torcida são-paulina e com o carisma, talento e autenticidade do bom baiano.

Se bem orquestrada, a operação tricolor pode ser bem-sucedida, como foi a planejada pelo Santos à época em que o clube conseguiu segurar Neymar por mais tempo na Vila Belmiro. O que não estava no script era a saída do craque ao Barcelona  da forma como se deu, tempos depois...

A conta que chega depois

A extravagância dos dirigentes, que tudo podem e nada pagam (se algo der errado), é um risco apenas para os clubes. Se a conta estourar e os títulos e o retorno de marketing e patrocínio não vierem, os cartolas empurram o saldo negativo com a barriga e deixam o déficit para as próximas gestões.

Exemplos do tipo estão aí para todos os torcedores lamentarem. Só para citar uma, que aconteceu aqui, no nosso quintal: a contratação do atacante Leandro Damião, a pior da história do Santos, até hoje causa dor de cabeça ao clube.

Foi feita há duas gestões, mas ainda hoje reflete no caixa alvinegro, que teve quase R$ 15 milhões bloqueados na semana passada por uma discutida (na Justiça) dívida com um escritório de advocacia de São Paulo.

Como qualquer investimento de risco, rechear um elenco de estrelas não é garantia de sucesso. O Cruzeiro tem um dos times mais caros do país, caiu na Libertadores, está na zona de rebaixamento do Brasileirão e aposta  suas fichas na Copa do Brasil para não entrar em colapso no final do ano.

O Santos aumentou consideravelmente a sua folha de pagamento com 14 contratações e tem na conquista do Brasileirão (e o retorno que isso trás) a esperança de fechar o ano se  equilibrando na balança.

Particularidades dos clubes à parte, a verdade é que a profissionalização e a responsabilização de seus dirigentes pela má gestão (e isso inclui a contratação de estrelas com salários estratosféricos) são urgentes no futebol brasileiro. Quem ainda não se atentou a essa regra vai ficar para trás.

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