Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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O agradecimento de Nápoles a Diego Armando Maradona

Passagem de sete anos do craque argentino pelo time mudou não só a história do clube, como também do sul da Itália

A morte de Maradona causou comoção, entristeceu milhões de torcedores e fez a Argentina perder um de seus principais ídolos. Mas, além do luto, sua partida serve para lembrarmos que poucos são os atletas capazes de transformar um clube, uma cidade e até uma sociedade. Entre erros e acertos, foi isso o que Maradona fez com o Napoli, a cidade de Nápoles e o sul da Itália, numa saga que merece ser para sempre compartilhada.

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A mudança do nome do estádio de Nápoles - de San Paolo para Diego Armando Maradona - dá uma dimensão do que o camisa 10 argentino representa aos napolitanos. A chegada do craque ao clube, em 1984, fez os holofotes se voltarem ao sul da Itália, região historicamente deixada de lado em comparação ao norte do país e à capital Roma, mas que à época podia se orgulhar de ter em suas terras um gênio do futebol.

A aventura durou sete anos, mas se tornou eterna a quem a vivenciou. Os dois títulos italianos do Napoli vieram sob a batuta de Maradona, em 1987 e 1990, assim como o único troféu continental, a Copa da Uefa de 1989. Houve ainda a celebração de uma Copa Itália (1987) e uma Supercopa da Itália (1990). De patinho feio, o Napoli passou a ser um timaço, que a cada domingo encantava quem ia aos estádios ou parava diante da TV.

Maradona formou uma dupla primorosa com o brasileiro Careca e era o pilar da equipe. Não à toa, o argentino sempre foi tratado como uma espécie de divindade pelos torcedores do Napoli. Sua imagem vestindo a camisa azul celeste ganhou os muros dos prédios e as janelas das casas, além do coração de quem torcia por ele. Juventus, Milan, Internazionale, Roma, Sampdoria... todos os rivais ficaram para trás graças à genialidade da perna esquerda do camisa 10.

Ele chegou grande ao clube e se tornou colossal durante a passagem por terras napolitanas, ganhando a Copa do Mundo de 1986 com a seleção da Argentina e sendo vice mundial em 1990, quando ajudou a eliminar a Itália na semifinal - ironicamente, no Estádio San Paolo.

O craque era tão amado pela torcida que recebia o perdão até depois de bobagens, como a tentativa de sair para o Olympique de Marselha. Seduzido por uma proposta, ele esticou suas férias até não poder mais e voltou ao Napoli fora de forma, após iniciado o Campeonato Italiano 1989/1990. Depois, entrou nos eixos e conduziu o time ao segundo título nacional, em uma jornada épica e cheia de golaços.

Infelizmente, foi também em Nápoles que Maradona viu as drogas se tornarem sua maior inimiga. A ponto de, em 1991, cair no exame antidoping, receber suspensão de 15 meses e nunca mais jogar pelo clube, sem ter direito a um adeus.

Após sua saída, o Napoli chegou a parar na 3ª divisão. Depois, voltou a ser protagonista, mas o fato é que Maradona nunca deixou os corações dos napolitanos, que na quinta-feira (26) foram ao San Paolo e o homenagearam. Uma despedida com 29 anos de atraso. Um agradecimento ao ídolo que fez uma equipe, uma cidade e uma região serem respeitadas como nunca antes. Uma transformação que só craques como ele conseguem concretizar.

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