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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Não há clube como o Santos

Nenhuma outra agremiação fez tanto pelo futebol brasileiro como o Peixe

Nos 108 anos de fundação do Santos, comemorados na terça-feira (14), nunca é demais destacar a importância de um clube que, mais do que títulos e vitórias, comuns a toda grande agremiação, se notabilizou por vencer de maneira única e formar o caráter do futebol brasileiro.

Pelé e seus companheiros da década de 1960 fizeram daquele Santos o maior time da história. Vários esquadrões vieram antes e depois, aqui e acolá, assim como jogadores geniais, que certamente brilhariam com a camisa santista. Contudo, não há como igualar uma equipe que por muito tempo foi base da Seleção Brasileira em seu período mais vitorioso e, no Santos, transformou o esporte em poesia digna de reconhecimento internacional até os dias de hoje.

Nem tudo, porém, foram flores. Os períodos de dificuldade, assim como os anos sem títulos e com times ruins, também são parte dessa história. Mas aí surge um Robinho e protagoniza a maior conquista de um time de futebol que este que vos escreve já presenciou. De maneira despretensiosa, um clube que vinha capengando havia algum tempo forma um time só de garotos e ganha o Campeonato Brasileiro dando show de bola. Nunca houve nada semelhante, nem antes, nem depois. Aquele título de 2002 mais parece um filme - ou um sonho - tornado realidade. Ainda mais por ter sido conquistado frente ao maior rival.

Em matéria de ídolos ainda tem Neymar. E Pepe, Coutinho, Rodolfo Rodríguez, Serginho Chulapa, Dorval, Mengálvio, Gylmar, Fábio Costa, Giovanni... É tanta gente boa que seria possível montar um campeonato só de grandes times do Santos.

Quem não gosta do Santos - ou mesmo quem gosta, mas não perde a piada - rejeita a grandeza santista. A Vila Belmiro quase sempre vazia e a pouca exposição do clube na tevê são, para muitos, um atestado de pequenez. Pois o caso é exatamente o contrário. Único time grande fora de uma capital brasileira, o Santos mostra sua força única ao sobreviver a essas e outras dificuldades. A torcida, que não é pequena, e sim ausente, de fato deveria comparecer em maior número à Vila. O problema não é novo, vem desde os tempos de Pelé. Tudo isso, porém, apenas valoriza as vitórias.

O Santos nunca foi exemplo de competência administrativa. Muito do que aconteceu de bom na trajetória alvinegra se deveu mais ao acaso ou ao trabalho de base. Acertos no mercado e capacidade de enxergar antes o que está por vir são momentos de exceção. E isso tem que mudar. Em tempos como os atuais, nos quais o futebol se nivelou (por baixo) em campo, é um risco seguir dessa maneira. Para que o Santos faça jus ao seu legado, será preciso refinar o trabalho diretivo, evitando dívidas que comprometem o futuro do clube e formando times com o faro de quem realmente entende do assunto, para não haver desperdícios. Pelé, os demais gênios que vestiram a camisa alvinegra e principalmente a torcida agradecem.

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