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Quinta-feira

13 de Agosto de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Leco está destruindo o São Paulo

Além de ampliar o jejum de títulos, o dirigente quebra o caixa e compromete o futuro do clube

O São Paulo dos últimos dez anos é reconhecidamente um fracasso dentro de campo. Sem dirigentes que conheçam futebol de verdade, o clube não ganha nada desde 2012, quando venceu a Copa Sul-Americana. Daí para frente, contratações descabidas, eliminações e vexames diante de arquirrivais viraram rotina para uma torcida que parece ainda não estar convencida por completo da gravidade da situação ao cultuar “ídolos” como Alexandre Pato, o marajá da bola.

Recentemente, porém, a coisa se complicou. Tido como um dos menos endividados do Brasil, o São Paulo passou a atrasar salários e a tomar empréstimos de empresários. A situação é tão crítica que, se não vender ninguém até o próximo dia 31, o clube fechará 2019 com um deficit de R$ 180 milhões.

A caminhada rumo ao fracasso tem vários protagonistas, mas nenhum com o destaque do presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco. Típico dirigente torcedor, que não consegue separar a emoção da razão, ele já metia os pés pelas mãos quando diretor. Ao assumir a presidência e realizar um sonho pessoal, ele se superou, capitaneando o transatlântico em direção ao iceberg a toda velocidade.

Com uma diretoria recheada de gente incapaz, e cercado de ídolos cuja história não vale em nada no dia a dia, como Raí e Lugano, Leco é massacrado nas redes sociais. No Conselho Deliberativo, porém, ele circula com tranquilidade. Primeiro porque o legislativo do São Paulo não tem lá grande quórum nas reuniões, e segundo porque a maioria é amigo de longa data ou integra a diretoria. Não tem como terminar bem essa história.

Pelo rol de problemas e desencontros, há quem diga que o São Paulo é um Cruzeiro em potencial, lembrando o calvário do clube mineiro, que desaguou no rebaixamento após crises e falta de dinheiro. Discordo. Com todas as suas dificuldades, os mineiros vêm de um bicampeonato da Copa do Brasil, enquanto o São Paulo há tempos entra nos campeonatos para fazer figuração. De resto, a trajetória é semelhante mesmo. Um festival de amadorismo e dinheiro mal-gasto que destrói o clube.

Leco vai para o último ano de mandato. Ao sair, vai deixar um São Paulo muito pior do que aquele que encontrou – e olha que, o Morumbi pós-Carlos Miguel Aidar já era um lugar triste. Se o sucessor de Leco mantiver o nível do trabalho dele, vai ser difícil o clube sobreviver.

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