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Segunda-feira

24 de Fevereiro de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Jorge Jesus deveria baixar a bola

Embora o Flamengo seja o time a ser batido, treinador exagera na presunção

Com o Flamengo “brincando” no Campeonato Carioca, dada a vantagem que leva frente a todos os concorrentes, o português Jorge Jesus investe pesado na presunção. Após a vitória sobre o Fluminense, na quarta-feira (12), o treinador rubro-negro disse, entre outras coisas, que seu time “está em outro patamar”, repetindo discurso que ficou famoso na boca de Bruno Henrique.

Não resta a menor dúvida de que o Flamengo, que já era o melhor time do Brasil no ano passado, ficou ainda mais forte em 2020 com a chegada de jogadores como Pedro, Tiago Maia e Gustavo Henrique. Assim como é impossível negar o mérito de Jorge Jesus na conquista do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Contudo, ficar jogando confete em si mesmo não contribui em nada para a imagem de um clube que encara o desgaste pelo tratamento ruim destinado às famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu.

Em tempos nos quais autoridades perderam a compostura nos comentários, recorrendo com frequência a termos chulos e raciocínios ofensivos e discriminatórios, Jorge Jesus se mostra bastante atualizado. Ele não ofendeu ninguém ao dizer que o Flamengo é muito superior à concorrência. Entretanto, a falta de humildade, e o pior, a reincidência, uma vez que no ano passado ele também já teve rompantes de estrelismo, é sempre reprovável.

Como já debatido exaustivamente em diferentes fóruns, o Flamengo não chegou “a outro patamar” por acaso. Até se organizar para investir milhões e montar uma verdadeira seleção, anos de dificuldades e privações fizeram a torcida sofrer. Superado esse momento, o clube enfim realizou todo o potencial que tem, digno de quem tem a maior torcida do Brasil.

Mas é sempre bom lembrar que no futebol as coisas mudam muito rápido. Em 2008, ao chegar ao tricampeonato brasileiro, o São Paulo se intitulou “soberano”. Pouco tempo depois, o clube mergulhou em um abismo que perdura até hoje, e do qual não tem a menor ideia de como sair.

Além disso, muito do sucesso do Flamengo vem da incompetência dos perseguidores. A começar pelos mais próximos. Afinal, Fluminense, Vasco e Botafogo são o retrato da decadência. Na verdade, tirando Palmeiras, Grêmio e talvez o Athletico-PR, fica difícil enxergar alguém que possa fazer frente a Gabigol, Bruno Henrique e cia nos dias de hoje.

Da próxima vez que levantarem a bola, Jorge Jesus poderia, antes de cortar, lembrar da posição intermediária que sempre ocupou no mercado europeu. Ou seguir o exemplo do alemão Jürgen Klopp, que, à frente do Liverpool, o melhor time do planeta, nunca precisou diminuir ninguém - nem o Flamengo, de quem ganhou o Mundial, para se destacar.

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