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Terça-feira

16 de Julho de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Futebol holandês ressurge no Ajax

Depois de figurar entre as melhores seleções nas últimas décadas, seleção europeia enfrenta crise no esporte; geração de Amsterdã traz consigo esperança de mudança

O futebol holandês é gigante. A Laranja Mecânica viveu grandes campanhas em Copas do Mundo, que culminaram com três vice-campeonatos (1974, 1978 e 2010) e foi campeã da Eurocopa de 1988.

Além disso, teve craques de nível mundial, como Ruud Krol e Johan Cruijff (década de 70); Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Marco Van Basten (década de 80). Mas, principalmente, uma geração magnífica dos anos 90: Clarence Seedorf, Dennis Bergkamp, Edgar Davids, Edwin van der Sar, Frank de Boer, Jaap Stam, Marc Overmars, Patrick Kluivert, Ronald Koeman, Ronald de Boer e Phillip Cocu.

Alguns desses atuaram até os anos 2000, em uma geração que oscilou muito e acompanhou, também, nomes notáveis como Ruud van Nistelrooy, Roy Makaay, Robin van Persie, Rafael van der Vaart, Arjen Robben e Wesley Sneijder. No entanto, o futebol dos Países Baixos parecia estar indo ladeira abaixo.

O terceiro lugar na Copa do Mundo de 2014 foi uma "enganação". Surpreendeu ao golear a Espanha, passou com dificuldades por México e Costa Rica. Na disputa pelo terceiro lugar, enfrentou um desmoralizado e goleado Brasil. No entanto, a geração envelhecida que foi ao Brasil, onde nove dos 23 jogadores tinham 30 anos ou mais, causou um problema na hora de renovar o elenco nacional.

Foram quatro anos de fiascos, sem disputar uma inchada Eurocopa, na França, e a Copa do Mundo da Rússia. No entanto, o novo ciclo começou melhor. A seleção é semifinalista da Liga das Nações e começou bem na disputa por uma vaga para a Euro 2020.

Mas, o que traz mais esperanças de um retorno do futebol holandês é o Ajax, o clube símbolo do futebol neerlandês. O maior campeão holandês voltou a ter destaque continental. Maior campeão do país na Liga dos Campeões da Europa, com quatro títulos, o clube voltou à semifinal do torneio, o que não ocorria desde a temporada 1996/1997.

E veio com uma geração jovem. Em um elenco de 29 jogadores, apenas três estão com 30 anos ou mais. É um time que corre, que ataca, que busca o gol. Troca rápida de passes e, em pouco tempo, chega do campo defensivo até a ponta da grande área adversária.

Guardadas as devidas proporções, Erik ten Hag gosta de armar o seu time como Jorge Sampaoli no Santos. Um time que quer ter a bola, independente do adversário. E, desta forma, Ajax surpreendeu Real Madrid no Santiago Bernabéu e Juventus em Turim.

E o sucesso passa por alguns jogadores. O primeiro é brasileiro: David Neres, que flutua a todo tempo gramado, o que confunde a marcação adversária. Cria chances para os companheiros de time e também finaliza. O outro é o sérvio Dusan Tadic, que chegou junto ao Southampton para ser uma referência no ataque holandês. Esses são os intrusos dentro do sucesso neerlandês.

Os outros, todos filhos da terra: Matthijs de Ligt (capitão aos 19 anos), Donny van de Beek, Daley Sinkgraven, Frenkie de Jong (já vendido ao Barcelona) e Hakim Ziyech (que nasceu na Holanda, mas optou por jogar por Marrocos). Sem contar Justin Kluivert, que deveria estar neste elenco, mas foi vendido à Roma-ITA, que correu rápido para substituir Malcom.

Pode ser que os holandeses não passem pelo Tottenham, e que o sonho acabe antes da hora. Mas, vale a pena assistir e ter uma esperança no renascimento do futebol holandês.

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