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Quinta-feira

13 de Agosto de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Corinthians escorrega na hipocrisia

Clube que diz ser 'de todos' veta a camisa 24 no time de futebol

Com inegáveis raízes populares e dono da segunda maior torcida do Brasil, o Corinthians pisou na bola durante a apresentação do colombiano Victor Cantillo, que vestia a camisa 24 em seu ex-time, o Junior Barranquilla, da Colômbia.

Ao tomar conhecimento do significado do número no Brasil, ele entendeu que agora teria de ser diferente, com a deixa do diretor de futebol Duílio Monteiro Alves: "24 aqui não" – o número, no jogo do bicho, é associado ao veado e usado em comentários sobre homossexuais.

Dá pra ser o "clube de todos" e, ao mesmo tempo, adotar postura preconceituosa – homofóbica até, talvez? Creio que não. Na verdade, trata-se de mais um daqueles casos em que o discurso é muito bonito, mas a prática não é bem assim. E, para piorar, quem destacou o “24 aqui não” é filho de um dos mentores da Democracia Corintiana, célebre nos anos 80 por defender valores como a igualdade.

O futebol, por essência, é um universo permeado de preconceitos e estupidez. O ambiente nos estádios, especialmente aqueles que costumam receber os grandes times, é hostil. Mesmo quando não há briga de torcidas adversárias, o clima bélico está sempre no ar. E mesmo que as coisas tenham melhorado nos últimos tempos, o estádio ainda não é o melhor lugar para levar crianças ou a família.

No mais, discurso e prática não falam a mesma língua há muito tempo no Corinthians. Em temas do dia a dia do futebol, as promessas não cumpridas de Andrés Sanchez seriam folclóricas se não dessem a medida de problemas que, cedo ou tarde, vão cobrar seu preço.

O pagamento inviável da arena, seguido da cascata chamada naming rights, além do futebol deficitário, justificado com o dedo apontado para terceiros, por ora não fazem diferença, até porque o clube foi o que mais venceu no Brasil nos últimos dez anos. E as conquistas, sabemos, jogam a sujeira para baixo do tapete. Mas elas estão lá.

Enquanto isso, o racismo se mostra cada vez mais presente no futebol. Na Itália e na Ucrânia, os episódios já se tornaram tão recorrentes que as punições não surtem mais efeito. Por aqui, a situação não chega a ser tão crítica. Por outro lado, se é para vestir uma camisa e levantar uma bandeira, que seja de verdade, com campanha e atitudes afinadas. Afinal, não vale a pena ver de novo Duílio em saia justa.

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