EDIÇÃO DIGITAL

Domingo

13 de Outubro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Corinthians erra ao misturar futebol e religião

Ainda que a intenção tenha sido boa, o resultado é de péssimo gosto

Dentro de campo, o Corinthians começou o ano de maneira aceitável. Se o futebol não encanta, pelo menos os resultados começam a aparecer. Fora das quatro linhas, porém, a coisa vai mal. Principalmente no departamento de Marketing, que misturou futebol e religião com a campanha do Corinthianismo.

Com o objetivo de mostrar que torcer para o clube é um ato religioso, dada a devoção de seu torcedor, além da ressurreição (títulos) depois do sofrimento (rebaixamento e eliminação na pré-Libertadores), o Corinthians produziu um vídeo promocional com referências a  símbolos sagrados. Em uma das imagens, um homem aparece pendurado no travessão, em alusão a Jesus Cristo crucificado. Fora outras associações de péssimo gosto.

A paixão do corintiano por seu time é tão verdadeira quanto histórica. Não são poucas as demonstrações de amor dos torcedores pelo clube, nos bons e nos maus momentos. E capitalizar sobre isso é um direito. Só que, como tudo na vida, é preciso cuidado. Ainda mais quando se toca em temas delicados, que causam divergências com facilidade e provocam guerras entre povos.

Não bastasse a alusão a Cristo e a outros símbolos religiosos,  Sócrates faz o papel de profeta do movimento. Entretanto, ainda que ele diga com todas as letras que torcer para o Corinthians é como seguir uma religião, certamente ele não comunga da campanha. Isso fica claro por suas ideias libertárias e estilo de vida fora de convenções e dogmas.

O Corinthianismo tem a assinatura do folclórico diretor de Marketing  Luis Paulo Rosenberg. Na última quinta-feira, ao tentar exemplificar a dificuldade para conseguir os naming rights para o estádio, ele disse o seguinte à ESPN: “O apelo da marca Corinthians é tão grande que temos quatro grandes grupos muito interessados em vir. É mais ou menos... Eles se sentem na situação de estar vendo a esposa perfeita, com dotes culinários, formada com MBA no exterior, uma mãe de filhos maravilhosos, mas parece que tem um teste de aids positivo. Como é que eu encaixo a camisinha é o grande desafio”.

Isso explica tudo.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.