EDIÇÃO DIGITAL

Sábado

19 de Outubro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Apoio sim, complacência não

Em meio a turbilhão envolvendo os bastidores do Santos, a torcida ficou ao lado de Jorge Sampaoli, mas isso pode não significar salvo-conduto para o argentino

Na queda de braço entre alguns caciques do Santos FC e Jorge Sampaoli, o técnico levou a melhor. Ao menos, com a torcida. Quando os primeiros boatos envolvendo uma hipótetica "perda de comando" surgiram, os torcedores do Alvinegro logo passaram a demonstrar que estão do lado do treinador. 

As suposições seguem, no entanto. Paulo Autuori veio aos microfones para tentar tranquilizar, botar panos quentes, só que sem muita efetividade. Existem pessoas que Sampaoli desagrada, e isso não se resolverá da noite pro dia. Porém, para as projeções do time no início do ano e o que foi feito até agora, não há como crucificar o treinador. O time tem ido além do esperado.

Dúvido o torcedor santista, por mais otimista que seja, ter imaginado, em janeiro, que o clube chegaria a liderar o Campeonato Brasileiro e estaria vivo numa briga pelo título ou, ao menos, uma vaga na Copa Libertadores de 2020.

Mas, o apoio dado a Jorge Sampaoli é preciso ser feito com ressalvas. Nada de cegueira nesse momento. Apoiar não significa ser complacente com tudo que o argentino faz no campo ou nos treinos. A crítica precisa exigir e parte da queda de rendimento também precisa ser colocada em sua conta. 

A insistência com três zagueiros, que se provou falha em várias partidas, é uma das coisas que não se deve "passar a mão na cabeça". As inúmeras chances dadas a determinados jogadores, como Uribe, também não se justificam. O colombiano, simplesmente, não encaixou. É do futebol. E é preciso buscar alternativas.

Parte da torcida discordará deste colunista, mas ainda não consigo ver atuações que justifiquem a titularidade de Everson. Ele pode saber jogar com os pés. Mas - claro que é uma visão pessoal, não me passa segurança debaixo das traves. A todo momento temo que a bola irá passar por ele, ou que ele espalmará em cima do rival. Suas pontes artísticas, como fazia o goleiro Bruno no Flamengo, não me trazem nenhum conforto. 

É preciso que o torcedor tenha a visão sem paixões. E isso não significa pedir cabeça de técnico, mas reconhecer quando ele erra. Até para que o erro não se torne recorrente. Sampaoli mexeu errado quando perdeu Gustavo Henrique contra o Cruzeiro, foi responsável, em parte, por empates contra o Fortaleza e o time reserva do Athletico-PR. E ainda precisa dar explicações em relação ao vexame contra o Grêmio.

E uma vitória, contra o potente CSA (com todo respeito ao feito do clube alagoano em conquistar a vaga na Série A), não pode apagar essa série de erros. Afinal, as escalações e mexidas erradas custaram. Primeiro, a gordura na ponta, depois a liderança, na sequência o terceiro lugar. E agora, o Corinthians já divide o quarto lugar. 

É hora do exame de consciência e de retomar o bom caminho contra o Vasco da Gama. Com Sampaoli, mas sem paixão.

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.