Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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Alemanha mergulha em crise que vai muito além de um 6 a 0

Goleada sofrida para a Espanha escancara erros cometidos nos últimos anos e soberba pós-tetra mundial em 2014

A humilhação imposta pela Espanha à seleção alemã na última terça-feira (17), com a goleada de 6 a 0 que deixou os campeões mundiais de 2014 fora da fase final da Liga das Nações, mostra que os nossos algozes do 7 a 1 não são imunes a erros e, assim como os brasileiros outrora, deitaram em berço esplêndido e agora pagam caro por isso.

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A covid-19 trouxe uma série de consequências ao futebol, como o calendário de competições atolado, jogos em série, incontáveis lesões e uma atmosfera sem graça, com estádios vazios. É tudo verdade, mas a Alemanha já definhava pré-pandemia e o que estava ruim antes do vírus foi apenas escancarado com os 6 a 0.  

Para quem ficou com a imagem de um time perfeito após a Copa do Mundo de 2014, não custa lembrar que, depois da glória no Maracanã, a Alemanha rodou na semifinal da Eurocopa de 2016, caiu na primeira fase do Mundial de 2018 e foi rebaixada para a Série B da Liga das Nações em 2019.

O pior é que essa última queda só não foi consumada porque a Uefa virou a mesa do recém-criado torneio europeu sem cerimônia alguma, mantendo os alemães na Série A por questões comerciais. Olhando o caos que se tornou a equipe, era melhor ter cumprido o rebaixamento, o que evitaria a bordoada dos espanhóis.

Assim como no Brasil, há quem jure na Alemanha que os jovens que assumiram os lugares de alguns dos campeões de 2014 não têm condições de vestir a camisa tetracampeã mundial. Uma mentira, pois eles pintam e bordam pelos clubes e nas seleções de base. Se jogam bem lá, também podem jogar cá.  

Demonizar o técnico Joachim Löw é o caminho mais fácil e ele tem culpa no cartório, mas a crise vai além. Até porque ele não é o dono da seleção e não impôs a permanência no cargo que ocupa desde 2006. Os outros culpados do caos que resultou no vexame em Sevilla são os dirigentes da Federação Alemã de Futebol.

Primeiro, porque fingem colher até hoje os frutos dos acertos que levaram o time a vencer a Copa de 2014. Sucesso sem renovação de ideias vira preguiça e o resultado costuma ser desastroso. Em segundo lugar, por insistirem em Löw como se não houvesse opção, vivendo em eterna negação da realidade.

Em 2019, treinador e cartolas dispensaram os campeões mundiais Hummels, Boateng e Müller da seleção, contra a vontade do trio. Os dois primeiros não têm o mesmo rendimento de antes, mas o terceiro segue em alto nível e foi um dos pilares do Bayern de Munique campeão de tudo em 2020. Abrir mão de Müller é um tiro no pé.

O erro foi tão grande que, após os 6 a 0, o goleiro Neuer declarou que a volta do trio poderia ajudar a equipe a reencontrar o sucesso. Depois do terceiro sinal de que algo está muito fora da rota nos últimos dois anos, tendo a concordar com o camisa 1. O Brasil pouco (ou nada) aprendeu com os 7 a 1. A Alemanha tem a chance de não cometer o mesmo erro.

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