Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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A passagem frustrada de Luque pelo Santos

Argentino que morreu vítima de covid-19 chegou à Vila como campeão do mundo, mas não marcou um gol sequer

A morte do ex-centroavante argentino Luque na última segunda-feira (15), aos 71 anos, vítima de covid-19, me deu a chance de mergulhar no tempo e dividir com vocês algumas curiosidades envolvendo o atleta, campeão do mundo pela seleção de seu país, em 1978. Afinal, o artilheiro de bigode grosso e faro de gol apurado teve uma frustrada passagem pelo Santos em 1983. Foram tantos desencontros em seu curto período na Vila que o intervalo entre a estreia e a rescisão de contrato foi de menos de dois meses.

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Luque era extremamente querido por nossos vizinhos. Na Copa que conquistou, anotou quatro gols - dois deles na goleada por 6 a 0 sobre o Peru, até hoje capaz de provocar arrepios aos brasileiros, que perderam a vaga na final por conta do placar elástico. Era dono de um estilo rompedor, voluntarioso e sem medo de divididas. Ainda superou um drama familiar durante aquele Mundial, após perder o irmão em um acidente de carro no mesmo dia em que marcou um golaço na vitória argentina por 2 a 1 contra a França.

Não à toa, ele foi um dos pilares de uma seleção que praticava um futebol competitivo, mas infelizmente acabou ganhando fama devido ao conturbado momento político local do final da década de 1970, com uma ditadura ávida em usar a vitória na Copa do Mundo como instrumento de propaganda política a todo custo. Entre os clubes do seu país, a passagem mais marcante foi pelo River Plate, onde ganhou dois campeonatos nacionais e três metropolitanos entre 1975 e 1980.

Cinco anos após a glória máxima, Luque chegou ao Peixe como reforço de peso para o Brasileirão de 1983, à época disputado no primeiro semestre. O Santos não tinha um campeão mundial no elenco desde a aposentadoria de Clodoaldo, o que deixou a torcida animada. Mas a demora para jogar era um sinal de que nada daria certo. Ele levou um mês para entrar em forma e ter a documentação regularizada. Até a falta de um atestado de escolaridade do atleta virou dor de cabeça na CBF.

Superados os problemas fora de campo, Luque não conseguiu render o esperado dentro das quatro linhas. Estreou em 20 de fevereiro de 1983, substituindo o concorrente de ataque e grande nome daquele time: Serginho Chulapa. Pouco fez na vitória de 4 a 1 sobre o Paysandu, mas o técnico Formiga e os torcedores santistas faziam questão de dar apoio. Só que as fracas atuações em um torneio amistoso no Uruguai, que terminou com o Peixe campeão, acenderam o sinal de alerta: Luque não era mais o mesmo.

A melhor partida dele pelo Santos ocorreu no Mineirão, contra o Cruzeiro, em 20 de março. O argentino foi o responsável pela jogada que resultou no gol Alvinegro e até ganhou nota 7, uma das mais altas, nas páginas de A Tribuna no dia seguinte. Contudo, essa atuação pode ser classificada como o canto do cisne de Luque. Sem cair nas graças do técnico Formiga, que não conseguiu encaixá-lo na equipe santista, pediu a rescisão de contrato em 18 de abril de 1983. Essa atitude o fez receber rasgados elogios do então vice-presidente Milton Teixeira.

Sem brilho, Luque ainda rodou por times pequenos e pendurou as chuteiras em 1986. Pode não ter deixado saudade algumas no Santos, mas fez a alegria de milhões de argentinos e eternizou seu nome na honrosa galeria de campeões mundiais de futebol.

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