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Sexta-feira

19 de Abril de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino, Alexandre Fernandes e Bruno Gutierrez. O quarteto traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

A 'nova Vila': Sonho, realidade ou mera especulação?

Proposta de modernização do estádio santista é válida, mas deixa muitas dúvidas no ar

A Vila Belmiro vai ser ampliada e modernizada. A diretoria do Santos discute com parceiros a construção de uma arena multiuso na Cidade. O Alvinegro estuda a possibilidade de construir um novo estádio em Cubatão ou no ABC. O Santos participa da licitação para assumir o estádio do Pacaembu.

Caro santista, há quanto tempo você lê, debate ou ouve as variações sobre o mesmo tema? Confesso que já perdi as contas de quantas propostas já conheci ou ouvi falar sobre o assunto. Debate que sempre desanda para a surrada e nada produtiva “guerra” entre “santistas da Baixada” e “santistas de São Paulo”.

Diante de um leque de opções, sempre tive uma certeza: o Santos não pode e não deve entrar em uma aventura para construir um novo estádio. Primeiro porque não tem recursos para isso. E segundo porque, mesmo com um parceiro que banque a empreitada, a dívida seria praticamente impagável.

A Arena Corinthians está aí para comprovar. Segundo matéria publicada pela Folha de São Paulo no mês passado, o clube paulistano já pagou R$ 125 milhões à Caixa Econômica Federal, mas ainda deve R$ 425 milhões ao banco. E tem que pagar também a bagatela de R$ 800 milhões à Odebrecht.

Por mais que a casa corintiana esteja quase sempre cheia e as rendas sejam milionárias, quitar a arena parece algo improvável, pois os juros vão se avolumando ao longo dos anos.

Neste aspecto, o negócio feito pelo Palmeiras com a W. Torre é mais racional. O pagamento do Allianz Parque não depende apenas das rendas das partidas, mas também dos inúmeros shows promovidos na casa alviverde. Apesar de rentável, porém, clube e construtora mantém brigas judiciais em relação ao contrato.

Dá pra confiar nessa parceria?

Voltando à realidade santista, o presidente José Carlos Peres voltou esta semana de uma viagem a Dubai e China. Na segunda-feira (25), falou (pouco) sobre a mais nova proposta: o interesse de um grupo dos Emirados Árabes em investir na modernização da Vila Belmiro.

Além de ampliar a capacidade do estádio para cerca de 25 mil pessoas, a casa alvinegra passaria por uma reformulação completa. A empresa ainda bancaria a construção de um novo centro de treinamento para as categorias de base.

Apesar da parceria ter sido anunciada nas redes sociais por Roberto Diomedi, o italiano dono do Grupo Bolton, o presidente santista tratou de esfriar o assunto. “O acordo só está efetivado depois da assinatura. Houve precipitação da parte deles de dizer que está fechado”.

Segundo Peres, membros do Grupo Bolton virão ao Brasil no dia 17 de abril para apresentar o projeto. Mesmo que a proposta seja muito boa para o Santos, precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo. E nunca é demais lembrar que, se dependesse deste mesmo conselho, o mandatário santista teria sofrido o impeachment no ano passado.

Interesses e brigas políticas à parte, a questão fundamental é fazer um raio X completo do Grupo Bolton. Quão sólida é a empresa? Goza de credibilidade no mercado internacional? Executou projetos parecidos anteriormente? Qual a contrapartida do Santos no investimento que será feito no clube?

De tudo o que se especulou na imprensa acerca do projeto, o único ponto interessante (até agora) é o fato de se propor uma modernização da Vila Belmiro. Proposta que teria um custo muito menor (e mais palpável) do que a aventura de construir uma nova arena.

De resto,  apenas interrogações. Enquanto essa novela ainda está longe do fim, o santista deve deixar de sonhar com a nova casa e comparecer em peso na velha morada. Seja ela a Vila Belmiro ou o  Pacaembu.

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