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Terça-feira

17 de Setembro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

A Copa América vem aí. E daí?

Foi-se o tempo, para mim, em que um jogo da Seleção Brasileira era motivo de torcida fervorosa

A Copa América começa nesta sexta-feira (14) em São Paulo, com o jogo entre Brasil e Bolívia, no Morumbi, mas ao que parece, o torneio não tem despertado muito interesse dos torcedores. Até esta terça-feira (11), pouco mais de 60% dos ingressos para os jogos foram vendidos, segundo informações do Comitê Organizador Local. 

No último amistoso antes da estreia, na goleada por 7 a 0 sobre Honduras, no último domingo, somente 16.521 pessoas pagaram ingresso no Beira-Rio, em Porto Alegre-RS, para ver o Brasil em campo. Um termômetro do ânimo do torcedor canarinho. 

Pessoalmente, há muito tempo que a Seleção não me empolga nem um pouco. E isso não tem nada a ver com o recente fracasso na Copa da Rússia. Nem com o pior capítulo da história do futebol brasileiro, o fatídico 7 a 1 para a Alemanha em 2014. 

O meu bode pessoal com a Seleção vem de longa data.  A última vez que me vi torcendo de verdade pelo Brasil em uma Copa foi em 2002, na conquista do pentacampeonato. Em competições oficiais, os 4 a 1 sobre a Argentina, em 2005, na conquista da Copa das Confederações, foi meu último suspiro de apreço à camisa amarelinha. 

Da Copa da Alemanha-2006, em diante, a Seleção, para mim, perdeu o encanto. O descompromisso daquele time (no papel, um timaço) era evidenciado pela dupla de ataque mais pesada da história do futebol tupiniquim. À beira dos 100 quilos, Ronaldo Fenômeno e Adriano pareciam dois peladeiros em final de carreira. Em uma Copa do Mundo!

Não bastasse o período festivo de preparação em Weggis, na Suíça, antes da Copa, durante o Mundial da Alemanha teve jogador que foi se divertir em boate. Tudo com a complacência do então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e da dupla Parreira e Zagallo, que comandava a Seleção.

Seleção cada vez mais distante

O distanciamento do time nacional de sua torcida foi aumentando. O Brasil jogava cada vez mais amistosos na Europa do que no próprio País. Londres passou a ser a base da Seleção. Muitos jogadores, por sua vez, pareciam se importar mais com as suas carreiras nos times europeus do que em defender a camisa que consagrou o Brasil como o “país do futebol”.

Dunga, em 2010, tentou resgatar o espírito de Seleção na Copa da África do Sul, mas naufragou com as suas convicções e a falta de maturidade. Dele e da equipe. De 2014 é melhor nem falar, porque para os gênios da CBF, bastava juntar Felipão e Parreira para que o Brasil fosse hexacampeão em casa. E deu no que deu.

A geração comandada por Tite, até agora, não disse a que veio. O próprio comandante dá brechas para que o insucesso se instale, quando não impõe a todos o mesmo tratamento. Na Rússia, o privilégio concedido à família de Neymar, de ficar no mesmo hotel da Seleção, foi só uma de suas falhas.

Já o craque da companhia, que deveria liderar o time em campo, continua sendo mais notícia pelas trapalhadas que comete dentro e fora de campo do que pelo raro talento que tem para jogar futebol. Diante desse roteiro decadente, como se envolver com a Seleção? Como torcer?

Ganhar a Copa América em casa, jogando contra adversários modestos, não é mais do que obrigação para o Brasil. Mas isso não vai mudar em nada o meu sentimento em relação à amarelinha que um dia dava orgulho vestir.

Certamente o torneio deve ter alguns bons jogos, quando Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia estiverem em campo. Com certeza assistirei, mais com a expectativa de acompanhar um bom duelo do que para torcer pela Seleção.

O Brasil precisa resgatar a essência do futebol que o fez ser venerado ao redor do mundo. Os jogadores que usam aquela camisa (a amarela, a azul e, agora, a branca) precisam estar de corpo e alma investidos naquele manto. A técnica e o jogo ofensivo têm que se sobrepor ao enfadonho futebol de resultado. O Brasil precisa voltar a ser Brasil.

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