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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Paulo Corrêa Jr

Deputado estadual reeleito na Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa Jr. é formado em jornalismo e direito. Têm como bandeiras principais a descentralização do Porto, causas ligadas ao esporte e assistência social. É considerado um deputado metropolitano, pois sua base está espalhada pelas cidades que englobam a Baixada Santista, Vale do Ribeira e Litoral Norte.

Lixo: inevitável, indefinido e preocupante

O que tem causado muita discussão e merece nossa total atenção no caso da Unidade de Recuperação Energética, são os prejuízos ao meio ambiente que essa usina pode causar

Classificado como um assunto muito sério pelas autoridades, a indefinição sobre a destinação do lixo é um problema enfrentado por diversos países. E como não poderia deixar de ser, há décadas e de tempos em tempos, esse assunto ganha destaque nos noticiários locais, sem que uma solução regional seja apresentada e aprovada pelos órgãos responsáveis. E assim, novamente estamos vendo voltar à pauta a apresentação de soluções. Uma delas seria a construção de uma Unidade de Recuperação Energética - URE, no aterro sanitário do Sítio das Neves, localizado na área continental de Santos.

Atualmente atendendo a seis dos nove municípios da Baixada Santista, esse espaço seria construído entre dois aterros já existentes e poderia receber até 2,5 mil toneladas por dia e produziria com a incineração, cerca de 50 megawatt-hora (MW-H) de energia, beneficiando o equivalente a uma cidade com 250 mil habitantes. Ainda em análise pelos órgãos competentes, esse projeto não tem data para começar a ser construído e nem mesmo a garantia de ser aprovado pela Cetesb, responsável pelo licenciamento ambiental.

O que tem causado muita discussão e merece nossa total atenção, são os prejuízos ao meio ambiente que essa usina pode causar, incluindo danos à camada de ozônio e geração de resíduos perigosos. Alguns engenheiros químicos defendem que esse tipo de operação não se enquadra na Política Nacional de Resíduos Sólidos e que oferece muito mais desvantagens do que vantagens, incluindo a geração de gases tóxicos – alguns cancerígenos – que seriam lançados na atmosfera.

Como alternativa, especula-se que seja adotado o tratamento biológico. De forma resumida, com essa operação, elimina-se o lixo orgânico, hoje responsável por 50% do total gerado na Baixada Santista. Desse tratamento, produz-se um gás biológico que, queimado, também gera energia. A grande diferença é que não se queima o produto, mas o gás gerado por ele, de forma que não agrida o meio ambiente.

A verdade é que estamos à beira do esgotamento e uma solução deverá ser adotada o quanto antes, tendo em vista que qualquer projeto que seja aprovado, levará alguns anos para entrar em operação.

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