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Terça-feira

12 de Novembro de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Três zagueiros

Santos amargou a segunda derrota seguida no Campeonato Brasileiro

Pelo menos para Palmeiras e Santos, a rodada do final de semana não foi positiva. Para os demais candidatos ao título em potencial, como Flamengo, Corinthians, Internacional e até o São Paulo, os resultados foram extremamente positivos, rigorosamente reduzindo a diferença para o time da Vila, ainda líder da competição, com 32 pontos.

A situação do Palmeiras, em termos estatísticos, é mais preocupante: não venceu nenhuma partida após a interrupção para a Copa América. E ainda perdeu uma longa invencibilidade. Para piorar, no fim de semana, caiu para a terceira posição, ao lado do Flamengo, pelos critérios de desempate, ambos com 30 pontos.

Pelo elenco e nível de investimentos, o sinal da crise já envolve o clube, a ponto de se comentar até na saída de Luiz Felipe Scolari. Com certeza, um exagero, mas, infelizmente, no Brasil os resultados ainda determinam o futuro. O exemplo mais recente foi Fernando Diniz, demitido no domingo em razão da derrota para o CSA e o flerte com a zona de rebaixamento. Sem contar Mano Menezes, desligado do Cruzeiro na semana passada.

Uma pena, Fernando Diniz é um dos poucos que efetivamente tentam fazer algo novo em termos táticos, priorizando sempre também o espetáculo. Para seu lugar, já se fala em Abel Braga e Dorival Júnior, integrantes de uma geração que ultimamente tem vivido de “galho em galho”. Aos poucos, fatalmente vão se perder no tempo. Para o bem do futebol.

Está claro que o problema do Fluminense, assim como o do Vasco, não se resume a elenco. Há pelo menos três anos ambos são um fracasso no Campeonato Brasileiro, vivendo quase até a última rodada o trauma da volta para a 2ª Divisão. A razão é bem mais ampla, passando pela falta de estrutura e, principalmente, gestão.

A situação do Santos, ainda líder isolado, é mais compreensível, sem nenhum bairrismo. Duas derrotas consecutivas, contra São Paulo e Cruzeiro. Em ambas, fatos isolados foram determinantes, contribuindo diretamente para o resultado. A do último domingo, por exemplo, inegavelmente passou pela expulsão prematura de Gustavo Henrique, logo no primeiro minuto, deixando o time com 10 jogadores durante todo o tempo.

Esse perde/ganha é normal, assim como é certo que nenhum time conseguirá manter uma regularidade que o credencie, desde já, como favorito ao título. O Flamengo, por exemplo, com todo seu milionário elenco, de repente tomou de 3 a 0 do Bahia.

Teoricamente, o Santos terá agora dois adversários mais frágeis: Fortaleza, na Vila Belmiro, e Chapecoense, no dia 31, na Arena Índio Condá.

Poderá, em tese, manter a liderança e até ampliá-la. Porém, Jorge Sampaoli precisará definitivamente restabelecer a confiança do time e ainda ajustar o sistema defensivo. Está claro, por exemplo, que na opção por três zagueiros se impõe a escalação de atletas com maior versatilidade técnica para executar funções que tal esquema exige na prática.

P. S.: As duas derrotas consecutivas nos fizeram lembrar muito do nosso cético amigo, que continua a não acreditar muito em Jorge Sampaoli. A provocação foi inevitável no domingo à noite, imaginando sua felicidade pela profecia técnica alardeada há pelo menos dois meses, contestando a qualidade do treinador.

Com um pouco de ironia, foi humilde e disse: “Pelo menos o de domingo, foi um jogo atípico”. O tom de voz, porém, indicou que só está apenas sendo estratégico e que, na hora exata, dirá: “Não falei”?

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