EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

17 de Outubro de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Tigrão e Tchutchuca são a mãe e a avó

Deputado Zeca Dirceu teve o desplante de se referir ao ministro de Estado da Economia Paulo Guedes como ‘Tigrão’ e, depois, como ‘Tchutchuca’

Desde quando começamos a colaborar mais diretamente com A Tribuna On-line, por cautela, temos optado por escrever sobre esportes. Já abordamos futebol e tênis, e até, mais diretamente, a postura de jogadores e treinadores sobre sinceridade e honestidade. Ou fair-play, se preferirem, talvez esse termo englobe educação, postura, compostura e até ética em campo e fora dele.

Escrever sobre política é sempre um risco, talvez até uma ameaça à integridade física, que pode ocorrer de forma pessoal ou virtual. Poucos são os que compreendem a defesa de um tema com equilíbrio, que reconhecem o direito a posições contrárias, radicais ou não. No fim, infelizmente, você acaba rotulado ou marcado. Por um tempo ou por toda a vida.

Ruim, muito ruim isso, até quando pode ter ocorrido apenas a exposição do contraditório a um fato de momento, no jargão jornalístico, o chamado factual.

Chega a causar ‘asco’ (perdoem-me o termo), além de vergonha perante o mundo civilizado, os incidentes (para ser gentil) ocorridos durante a sessão de ontem da Câmara de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal, marcada para exposição do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a proposta de reforma da Previdência.

Era uma oportunidade rara para tirar dúvidas, questionar, sugerir, propor alternativas e, principalmente, colaborar com o país.  Sem entrar no mérito da PEC, o ministro da Economia, que (felizmente) de político não tem nada, expôs o que pensa e acredita e o que considera o melhor para o país.

Deixou claro, num determinado momento, que o Brasil está literalmente quebrado financeiramente. E que, se nada for feito, o futuro será desastroso para todos, sem exceção. Apresentou números de todas as formas, alguns absurdos, como a média da aposentadoria dos funcionários do Legislativo, da ordem de R$ 28 mil mensais, contra pouco mais de R$ 1,5 mil da grande maioria dos brasileiros.

Não cabiam, sob nenhuma hipótese, posições ideológicas, impunha-se consciência, equilíbrio e notadamente discernimento e isenção. Infelizmente, porém, por parte de alguns, isso não ocorreu. Sem contar a falta de preparo e conhecimento para debater o assunto com a profundidade e a seriedade exigidas.

O mais grave, porém, foi a falta de educação de alguns deputados, comprometendo a sessão e o Poder Legislativo. Um deles, o deputado Zeca Dirceu (PT-PPR), teve o desplante de se referir ao ministro de Estado da Economia como ‘Tigrão’ e, depois, como ‘Tchutchuca’, numa referência ao funk ‘Tchutchuca’, que foi sucesso do grupo Bonde do Tigrão em 2001.

Paulo Guedes revidou e, mesmo com o microfone desligado, gritou que ‘Tchutchuca’ era a mãe e a avó do parlamentar. Sem dúvida, o ideal seria que tivesse se contido, não descendo ao nível do deputado, mas, convenhamos, paciência tem limite.

Inegavelmente, um triste episódio que, posteriormente, também por incidentes de bastidores, foi parar até numa delegacia.

Lamentar apenas é muito pouco. Mas, fazer o quê?

Talvez admitir que, efetivamente, não se pode esperar que o sapateiro vá além do sapato.

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.