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Sexta-feira

19 de Abril de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

O trabalho de Sampaoli

A grande maioria dos críticos se surpreendeu com a sinceridade do argentino Jorge Sampaoli após a derrota no clássico: 'Corinthians fez o que quis'

No futebol, principalmente no Brasil, é extremamente raro um treinador, ou até mesmo um jogador, em uma entrevista, expressar a realidade de um pós-jogo ou até mesmo de um lance capital. Normalmente, apresentam uma situação completamente diferente, negando evidências e até mesmo responsabilidades claras.

Vamos a um exemplo simples: uma falta de jogo, mais do que normal. A primeira reação do jogador é abrir os braços e se afastar do local, indicando que não fez absolutamente nada, que sequer encostou no adversário. Sem contar a expressão fisionômica, semelhante à candura de um “santo puro”.

Entre os técnicos, em sua grande maioria, principalmente no pós-jogo, o quadro é muito semelhante. Quase todos buscam justificativas inconsistentes, números que contradizem a realidade da partida e até mesmo erros de arbitragem.

Do passado, me lembro apenas de Telê Santana, cuja maior característica era justamente a honestidade em relação ao futebol, em todos os sentidos. Dos atletas exigia profissionalismo total, não transigia um milímetro, por exemplo, acerca da indisciplina e do comprometimento.

Por convivermos há muito com a realidade do futebol brasileiro é que a grande maioria dos críticos se surpreendeu com a sinceridade do argentino Jorge Sampaoli após a derrota para o Corinthians, no domingo, por 1 a 2. Numa linguagem mais simples, disse: “Corinthians fez o que quis”.

Em síntese, traduziu o panorama da partida. Ao longo dos 90 minutos, o Santos foi completamente dominado pela forte marcação adversária, e se não fosse a grave falha de Cássio, talvez nem fizesse um gol.

Sim, os gols do Corinthians também surgiram de falhas da defesa do Santos, porém, ao fazer 2 a 1, taticamente nada permitiu. Vale lembrar que no último confronto entre ambos, no primeiro tempo, o quadro foi semelhante.

Está claro que, pelo menos até agora, o técnico Fábio Carille encontrou um antídoto quase perfeito para neutralizar a ofensividade e movimentação do Santos. Aliás, ajustar a defesa sempre o foi a maior característica do treinador corintiano.

Nada, entretanto, está definido, até pela capacidade e experiência de Sampaoli, sem dúvida, um técnico diferenciado.

O Santos, porém, terá que mudar sua estratégia, caso contrário, ficará na semifinal.

Importante: nada, contudo, invalidará o trabalho de Sampaoli.

Inegavelmente, foi além da expectativa.

Afinal, na prática, tecnicamente, o Santos está longe de ser o time dos sonhos.

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