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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Não há mais espaço para 'menino mimado'

Após os amistosos da Seleção Brasileira, Neymar deve ser oficialmente reintegrado ao PSG. Expectativa é que tenha aprendido a grande lição

Durante quase dois meses, ou um pouco mais, o futebol mundial acompanhou a verdadeira novela envolvendo Neymar, PSG, seu clube atual, e grandes como Barcelona, Real Madrid e até a Juventus, da Itália.

Tudo porque, de repente, o craque brasileiro decidiu que não queria continuar no PSG, gigante francês comandado por um dos muitos milionários do Catar. Seu desejo era voltar ao Barcelona, para jogar novamente ao lado de Messi, Luis Suárez e outros “parças de campo”.

Com certeza, Neymar imaginou que estivesse ainda no Brasil, país onde contrato pouco vale e a vontade (ou capricho pessoal) prevalece sobre quaisquer situações legais.

O jogador, inegavelmente, não considerou o investimento de 222 milhões de euros (mais de R$ 1 bilhão) que o PSG fez para tirá-lo do Barcelona, na maior transação do futebol mundial. Neymar parecia cansado de ser o segundo no Barcelona, dentro do quadro obsessivo de ser o melhor jogador de mundo.

O ex-jogador Casagrande, dentro de sua simplicidade verbal, definiu o jogador como um menino mimado, envolvendo também outros contextos. A reação de Neymar e família, principalmente o pai, foi imediata, demonstrando revolta e um inconformismo incomum.

Na prática, porém, Casagrande “acertou na mosca”, como se diz quando um atirador atinge o centro do alvo. Nesse episódio com o PSG, o jogador teve um comportamento infantil e sem um mínimo de profissionalismo. Se estivesse numa roda de crianças, insatisfeito por ter um de seus desejos contrariados, fatalmente teria dito: “Não quero mais brincar, vou embora”. E se fosse o “dono da bola”, fatalmente, a levaria com ele.

Imaginou, é claro, que o PSG se submeteria à sua decisão isolada e que o venderia por “qualquer dinheiro”, como se o investimento de 222 milhões de euros fosse um fato comum, “sem muito valor”. Se dispôs até, nos últimos dias da fracassada negociação com o Barcelona, a participar com 20 milhões de euros, de seu patrimônio pessoal, para garantir seu retorno à Espanha.

Ledo engano: o clube não aceitou “ a brincadeira” e rigorosamente o enquadrou, exigindo o cumprimento do contrato e, paralelamente, no mínimo, o retorno dos R$ 222 milhões de euros. Segundo a edição dessa segunda-feira (2) do Jornal “Le Parisien”, o PSG foi mais além: estipulou a venda em R$ 1,3 bilhão.

Por trás dessa postura, é óbvio, a preocupação maior era dar uma grande lição ao jogador, que desde que chegou ao clube jamais demonstrou espírito coletivo, respeito e comprometimento com os objetivos gerais.

Sempre se portou como estrela ou alguém acima de qualquer um, além de se envolver até em graves casos extracampo, como foi a agressão ao torcedor após a perda da Copa da França. Se indispôs até com Edinson Cavani, centroavante uruguaio ídolo dos torcedores franceses. Nesse episódio, que envolvia apenas a cobrança de um pênalti, mostrou que não teve um mínimo de humildade e bom senso.

Nessa temporada europeia não participou de nenhum jogo do time e na seleção brasileira, no período que precedeu a Copa América, foi mais um tormento do que o craque que a equipe nacional esperava. Novamente se contundiu, se envolveu em um caso de acusação de estupro e acabou cortado.

Mais uma vez, convocado por Tite, deve voltar a jogar nos dois amistosos da Seleção Brasileira nos Estados Unidos, dia 6 contra o Peru, em Miami, e no dia 10, em Los Angeles, contra a Colômbia.

Na volta a Paris, deve ser oficialmente reintegrado ao PSG, rigorosamente contrariado. A expectativa é que tenha aprendido a grande lição e que, a partir de agora, além de craque, seja profissional e sério.

Não há mais espaço para “menino mimado”. Nem idade ele tem mais para isso. Se ele e seu pai tiverem capacidade e humildade de assimilarem as mensagens desse triste episódio, todos ganharão, principalmente o jogador.

Efetivamente, será um craque completo.

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