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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Grau de ambição

Na essência, mesmo jogando na Vila Belmiro, no primeiro tempo principalmente, o Santos não foi protagonista

Do jogo desse domingo (26) na Vila Belmiro, que terminou com um empate de 0 a 0, entre Santos e Internacional, vale de início analisar os dois lances mais importantes, que exigiram a atuação do VAR, o chamado árbitro de vídeo.

O primeiro envolveu um gol do Internacional, ainda no primeiro tempo, marcado em condição de impedimento. Nada a contestar, a imagem da repetição foi clara, o jogador colorado estava em posição ilegal. As reclamações foram de praxe, mas sem nenhuma razão.

O segundo, favorável ao Santos, pode até causar maior polêmica, na medida em que foi uma jogada que permite interpretação. Analisadas as imagens, acertou o juiz mais uma vez. O atacante Rodrygo provocou o contato, que foi absolutamente natural. Aliás, o atacante foi muito feliz e honesto ao final da partida, ponderando que, na prática, apesar do choque, o pênalti não foi caracterizado.

Assim, o empate foi quase que natural. Na essência, mesmo jogando na Vila Belmiro, no primeiro tempo principalmente, o Santos não foi protagonista. Não conseguiu propor o jogo e nem superar o forte esquema tático do clube gaúcho, baseado numa ação que parece ser um antídoto muito bom para evitar que o time santista mantenha o adversário sob pressão.

O Inter não deu espaços ao Santos a partir de sua marcação alta na saída de bola, evitando a armação das jogadas. Aliás, o Palmeiras atuou de forma semelhante e conseguiu até uma goleada. Com méritos, é verdade, mas também com sorte nos dois primeiros gols.

À exceção de Rodrygo e Pituca em alguns momentos, faltou ao Santos mais lucidez, que decorre, é claro, de maior qualidade técnica do coletivo. Em síntese, talento. As entradas de Sasha e Cueva em nada acrescentaram, pelo contrário, reduziram ainda mais a força ofensiva. O atacante peruano dá a nítida impressão de que seu limite é curto. De um amigo e sempre conselheiro recebemos um post indicando que já se fala até (em tom de brincadeira, é claro) em pedido de extradição definitiva do atacante.

De Kaio Jorge, de apenas 17 anos, que também entrou no segundo tempo, não se pode cobrar nada, apesar do potencial.

Da partida de ontem é possível concluir, mais uma vez, que o Santos carece de maior qualidade ofensiva, alguém que realmente possa contribuir atuando de forma mais centralizada, pelo menos como opção. Ao final da partida, Rodrygo informou que o clube conseguiu sua liberação da seleção olímpica e que, portanto, poderá jogar pelo Santos até o dia 12. Mais 15 dias, portanto. Na sequência, se apresenta ao Real Madrid.

Mas, e depois? Marinho foi mesmo contratado junto ao Grêmio, talvez já possa atuar no meio da semana. No mínimo, temos que dar a ele a chance de jogar e demonstrar suas credenciais. Uma curiosidade: em 2008 integrou a equipe sub-17 do Santos.

Não cabe julgar previamente, ainda que seu histórico tenha como fator principal a irregularidade. Além do Grêmio, jogou no Fluminense, Internacional, Cruzeiro, Ceará e até no Changchun Yatai, da China, dentre outros. Se não vingou....

Pelo estilo de jogo, pode ser uma boa opção. Não dará, ao Santos, contudo, sequer a condição de um dos favoritos a pelo menos uma das vagas para a Libertadores de 2020.

Título de campeão Brasileiro? Nem pensar. Só milagre.

A não ser que mude radicalmente seu grau de ambição.

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