EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Faz tempo que é assim

Notícia de que Sampaoli já decidiu deixar o Santos no fim da temporada começou a circular nos grandes sites

Se for verdade, é uma pena.

Ou uma grande perda!

Que compromete o futuro e causa até grande incerteza.

Afinal, Jorge Sampaoli fez do Santos, apesar de suas claras limitações, um grande time.

Prova maior é a campanha. A julgar pelo nível de investimentos, jornada espetacular.

Fez mais: inovou, criou, arriscou, ousou e até inventou. Errou em alguns momentos? Sim, claro, mas avaliemos o saldo geral.

Os resultados são inegáveis, e os números, irrefutáveis.

Na prática, seu trabalho foi além do Santos. Envolveu todo o futebol brasileiro.

Fez até Pelé voltar a dar entrevista. E o Rei pediu a sua permanência.

Sampaoli, sem exagero, mexeu também com o futebol brasileiro e até com Santos. Seu estilo e sinceridade contagiaram a torcida e a própria cidade.

As crianças do muro do Centro do Treinamento se uniram e o homenagearam.

Em síntese: apoio quase que total. Só não foi geral porque, segundo Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra.

A notícia de que já decidiu deixar o Santos no fim da temporada começou a circular há pouco (17h dessa quinta-feira) nos grandes sites. Elas revelam que o treinador já confidenciou sua intenção para vários amigos. E é irreversível.

Sem dúvida, ruim para o Santos e para o futebol brasileiro.

Apesar da campanha, em campo, do Flamengo, Sampaoli e Jorge Jesus são os grandes protagonistas do Campeonato Brasileiro.

Mudaram “a cara” da competição. “Chacoalharam” o futebol brasileiro.

Foram tão grandes que não reagiram sequer à inveja dos nossos superados treinadores brasileiros, salvo exceções.

Uma delas? Tite, que não hesitou em convidá-lo para participar de um seminário de técnicos no Rio de Janeiro.

Convenhamos: Sampaoli tem muitos motivos para seguir os passos de Paulo Autuori, diretor remunerado que já anunciou que não ficará no Santos em 2020.

Ao longo do ano, aconteceu quase tudo no Santos. Desde atraso no pagamento de salário até pedido de impeachment do presidente. Sem contar a “posse do vice-presidente” com ajuda de força policial. Não fosse a medida obtida pelo presidente no STJD, suspendendo a punição administrativa que o afastou do cargo por 15 dias, imposta por declarações críticas à CBF e afins, o caos teria sido definitivamente instalado.

Não faltou sequer o presidente Jair Bolsonaro, palmeirense declarado, vestir a camisa do clube e acompanhar na Vila Belmiro o clássico contra o São Paulo.

Ufa! O Santos quase perdeu para o combalido e instável São Paulo.

Junte-se a tudo isso a falta de perspectiva para o próximo ano.

Triste realidade!

De um clube que é grande em sua história e muito pequeno em sua gestão.

Aliás, faz tempo que é assim.

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.