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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Dá gosto de ver jogar, é emoção a favor e contra

Mais uma vez, confirmando a filosofia de Jorge Sampaoli, o Santos foi intenso durante os 90 minutos

Obviamente, em primeiro lugar, vale a vitória. Era quase uma obrigação, por jogar em casa e pelo fato do segundo jogo ser no Rio de Janeiro, provavelmente em São Januário, um estádio difícil e que exala pressão.

Por isso, além da vitória, foi muito importante o placar de 2 a 0, que garante a vantagem de jogar a volta por um empate e até por uma derrota de 0 a 1. Não sei o sentimento geral, mas, pessoalmente, ficou certa frustração, pois, com isenção, o placar poderia ter sido bem mais expressivo. No mínimo, 3 a 0, ou até quatro, liquidando a disputa dessa fase da Copa do Brasil.

Oportunidades foram criadas, pelo menos três após os 2 a 0, tamanha foi a superioridade do time, principalmente no segundo tempo. Em nada, porém, desmerece a performance geral da equipe.

Mais uma vez, confirmando a filosofia de Jorge Sampaoli, o Santos foi intenso durante os 90 minutos. Chamam a atenção a disposição na marcação, o espírito coletivo e a doação em campo. Nos três pontos prevalece a condição física, não fosse isso o grupo não conseguiria executar o plano de jogo.

O aspecto tático também é visível, as jogadas fluem com naturalidade, em triangulações ou ações inteligentes, sempre com base na velocidade.

É inegável que o Santos hoje tem um perfil consolidado, com características que permitem até a superação. Não se trata de um super-time ou de uma equipe pronta para chegar à final ou realizar uma grande campanha no Campeonato Brasileiro.

Pelo contrário, precisa de reforços com boa qualidade técnica, tais competições exigem elenco e não apenas um bom time. E mais: a cada fase ou rodada os adversários serão mais difíceis, aumentando muito o grau de exigência. E não é possível esquecer que, em breve, infelizmente, Rodrygo irá para o Real Madrid. Na prática, será a perda de seu maior talento.

Individualmente, é válido também ressaltar alguns jogadores, além de Rodrygo. Na partida dessa quarta, por exemplo, Soteldo foi muito bem, em todos os sentidos. Impressionante a sua habilidade, assim como a visão de jogo e a consciência de colaborar com a marcação. Mesmo contundido, foi até o final da partida, num profissionalismo raro no futebol atual. Por ironia, com apenas 1,60m de altura.

Junte-se a ele, na mesma linha, jogadores como Jean Mota, Diego Pituca, Gustavo Henrique e Victor Ferraz, dentre outros. Estão longe de serem considerados craques, mas, sem dúvida, têm virtudes e a cada partida apresentam um grande potencial de crescimento.

Em síntese, hoje, “dá gosto de ver o Santos jogar”. É garantia de emoção a favor e contra, por sua ofensividade e vontade de vencer.

É cedo para tentar definir o limite dessa equipe, mas a perspectiva, a persistir o quadro em campo, é muito positiva.

Na semana passada, propusemos um debate em torno da necessidade ou não de um centroavante. Um dos nossos leitores foi muito feliz ao lembrar a Seleção Brasileira de 70, um time que, na prática, não tinha centroavante. Como exemplo, citou Tostão, um atacante completo, mas que jamais foi um centroavante fixo. É claro que era uma equipe repleta de craques e que tinha até o genial Rei Pelé, mas Tostão jamais foi um atacante com tal característica.

Ao longo do debate em torno da questão envolvendo a necessidade do Santos ter ou não um centroavante tradicional, veio à memória o nome de Ricardo Oliveira, que, apesar da idade, continua sendo uma referência e artilheiro. Nesse time atual, com certeza acrescentaria muito. Porém, se foi. Ou deixaram ir por incompetência.

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