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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

As surpresas do Brasileirão, além da Vila Belmiro

Santos é a surpresa positiva deste início de Campeonato Brasileiro

Sem nenhum exagero, numa análise geral, o Santos é a surpresa positiva deste início de Campeonato Brasileiro. É líder, ao lado do Palmeiras, com 10 pontos, perdendo apenas no saldo de gols, 5 contra 7. Em compensação, garante o segundo lugar, à frente do São Paulo, que tem a mesma pontuação, mas com 4 tentos marcados.

Do Palmeiras já se esperava tal campanha e uma largada positiva, pelo forte e numeroso elenco, pela permanência de Felipe Scolari e pelo trabalho ter mais de um ano de sequência. Imaginava-se, pelo nível de investimentos em contratações, que Flamengo e Grêmio também estariam na briga pelo primeiro lugar, assim como o Cruzeiro.

Ledo engano: o clube carioca é apenas o 7º, com 7 pontos, e a equipe gaúcha somente o 18º, com somente dois pontos. Nesse contexto, Santos e São Paulo são as boas surpresas. O time de Sampaoli confirma a evolução do Campeonato Paulista, enquanto o Tricolor, agora com Cuca, finalmente parece se tornar uma equipe consistente e digna de sua história.

Ambos venceram nesse domingo, o Santos no Pacaembu, e o São Paulo em Fortaleza. O time de Sampaoli, mais uma vez, mostrou seu futebol envolvente e intenso, e poderia ter vencido o Vasco até por uma grande goleada. Tudo sob o olhar, com certeza assustado, de Vanderlei Luxemburgo, que finalmente conseguiu voltar a trabalhar em um time grande (hoje, pelo menos, no nome).

O uruguaio Carlos Sánchez teve, pelo menos, quatro chances reais de gol, só não marcando por puro detalhe. Mais uma vez, porém, foi um dos melhores em campo, se consolidando como liderança técnica e pessoal.

O melhor, entretanto, novamente, foi o jovem Rodrygo, que marcou um gol e participou diretamente dos outros dois. Mesmo muito jovem, demonstra personalidade e grande potencial, se tornando, a cada jogo, um ponto de desequilíbrio.

Uma pena que já tenha sido negociado com o Real Madrid e que, provavelmente, deixe o Santos em junho. Nesse momento, não vale entrar no mérito da negociação, independentemente do valor obtido. No mínimo, um crime e falta de visão da diretoria, mesmo que a situação financeira fosse caótica.

Sem dúvida, fará muita falta. Sua ausência colocará em xeque até mesmo a capacidade de Jorge Sampaoli, que terá muito trabalho para encontrar um substituto. Igual, a curto prazo, é quase impossível, apesar do Santos sempre surpreender a partir de sua categoria de base.

O segredo do Santos hoje, além do treinador, está no comprometimento dos jogadores, no sistema tático e na evolução técnica de alguns, como Diego Pituca e até o pequeno Soteldo, cujo habilidade é rara, assim como a visão de jogo.

A cada rodada, porém, o Campeonato Brasileiro exigirá mais de cada time, sem contar as competições paralelas, como Copa do Brasil, Libertadores e Sul-americana. Entre os favoritos, a maioria está em duas e até em três. O Palmeiras é um bom exemplo.

Quem não tiver elenco, fatalmente fracassará!

Tomemos, por exemplo, a semana do Santos: na quarta-feira, jogará com o Atlético Mineiro, no Estádio Independência, no chamado jogo de ida pela Copa do Brasil. No fim de semana, enfrentará o Palmeiras, em São Paulo, pelo Brasileirão.

Duas partidas de grande importância: a primeira poderá significar um passo importante para a classificação para as quartas de final, enquanto a segunda simplesmente valerá a liderança e a invencibilidade na competição, apenas na quarta rodada.

Por tudo isso, é importante que a diretoria do Santos seja arrojada e viabilize reforços, até para compensar, mesmo que minimamente, a saída de Rodrygo. Opções não faltam. Consta que Sampaoli, logo após sua contratação, também por sua experiência internacional, apresentou uma lista com mais de 100 nomes para fortalecer a equipe.

Talvez as soluções estejam no mercado externo, “repatriando” alguns brasileiros que anda insatisfeitos pelo mundo. O São Paulo o fez, assim como o Corinthians e o próprio Flamengo. Vágner Love, por exemplo, retornou a custo zero.

Que a diretoria não se iluda com esse início digno das tradições do Santos. E que o presidente José Carlos Peres reflita um pouco sobre a sua decisão unilateral de jogar metade dos jogos na Vila Belmiro e outro tanto no Pacaembu, como ocorreu nesse domingo. É verdade que o dinheiro é importante, mas jogar em “casa” é quase decisivo.

Essa situação nos remete ao fantástico Rodolfo Rodríguez, que, indagado justamente em meio à comemoração do centenário estádio, numa longa entrevista para a TV Tribuna, disse: “A Vila Belmiro intimida, o adversário tem a nítida sensação de que entrando na sua casa. Isso fortalece o Santos”.

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