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Sexta-feira

19 de Abril de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Alguém conhece?

Na rica história do esporte brasileiro, algumas exceções ficam na memória da grandeza de que representaram o país

Nós somos mesmo uma subnação na área esportiva. Vivemos de fenômenos naturais. De tempos em tempos, de olimpíada em olimpíada, aparece um. Ora na natação, ora no judô ou até nas barras.

Hoje vivemos de memória, cheios de saudades de um Ayrton Senna, de um raio como César Cielo, de um Torben Grael ou um voo de João do Pulo, dentre outros. Talvez reste apenas o vôlei, único esporte que, nos últimos anos, realmente se profissionalizou.

No tênis, com justiça absoluta, ainda sonhamos e celebramos Gustavo Kuerten. Um ídolo do porte de Senna, Pelé e o próprio Cielo, dentre outros. Praticamente, ao longo desse mês, por meio do Sportv vivemos o tênis mundial, tanto no masculino como no feminino. Primeiro em Indian Wells, no deserto da Califórnia, e agora em Miami, em nova casa, saindo da aldeia de Key Biscayne para o Hard Rock Stadium, casa do Miami Dolphins, equipe de futebol americano.

São 12 quadras de torneio e 18 de treinamento. A quadra principal foi construída dentro do estádio, com capacidade para 14 mil privilegiados. Além disso, a organização implantou um telão gigantesco, com toda infraestrutura em torno, afinal, nem todos podem pagar o acesso à quadra central e segurança é sempre uma prioridade.

Nas últimas edições do torneio, jogadores e torcedores já vinham reclamando do pouco espaço e pedindo uma mudança ou ampliação da sede, demanda essa que enfim foi acatada pela organização.

Coisa de americanos, eles sabem produzir o espetáculo. E... “make money”.

A cada dia um show diferente, jogos fantásticos, reunindo a “velha geração” e a “new generation”, como dizem os especialistas ao se referirem aos novos gênios do tênis mundial. Tem canadense como Felix Aliassime, de 18 anos, croata como Borna Coric e até grego, Stefanos Tsitsipas, de apenas 20 anos e 16º do ranking mundial.

Do Brasil, nos contentemos com as duplas, com Marcelo Mello, mineiro de 35 anos, e Bruno Soares, ambos pelo menos top 20. Aplausos, sem dúvida, mas duplas são diferentes.

Mello, felizmente, está nas semifinais de Miami, Bruno Soares caiu cedo. Normal, nas duplas o equilíbrio é muito grande.

De todos, sem dúvida, a grande estrela continua sendo Roger Federer, suíço de 37 anos. Foi finalista em Indian Wells e já está nas quartas de final de Miami. É sempre um show. E a Suiça, tão pequena, tem ainda Stam Wawrinka e, no feminino, Belinda Bencic. Vale lembrar que já tiveram Martina Hings (foi número 1 do mundo) e Marc Rosset, medalhista Olímpico em 1992, em Barcelona, e nono no ranking de simples da ATP e 8º no de duplas. Além de craque, um homem de sorte: em 1998, quando mudou seus planos de voo após uma derrota nos Estados Unidos. O avião em que Rosset inicialmente embarcaria, a Swissair Flight 111, caiu no Oceano Atlântico matando todos a bordo.

Bem, voltemos ao Brasil: apesar de Guga, de sermos infinitamente maior do que a Suiça, continuamos sem ninguém no top 100. Vivemos de vitórias aqui e ali de Rogerinho Dutra Silva, Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e outros. Conquistas sem expressão, convenhamos.

É o retrato claro de falta de política para o tênis e para o esporte em geral. Infelizmente, faltam sensibilidade e visão. Além de uma política de Estado, e não de um governo ou outro.

Aliás, o atual até extinguiu o Ministério dos Esportes.

No dia 01 de janeiro de 2019, a pasta do esporte foi incorporada ao Ministério da Cidadania, juntamente com o Ministério da Cultura e Ministério do Desenvolvimento Social. O atual Ministro chefe é Osmar Terra.

Alguém conhece?

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