EDIÇÃO DIGITAL

Terça-feira

25 de Junho de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

É caso até para demissão

De repente, mesmo estando em Fortaleza, o atacante Rodrygo sequer foi relacionado para a reserva do Santos na partida contra o Ceará, causando grande surpresa

Via de regra, a primeira impressão é que fica. Dos dois estreantes deste domingo (2) no Santos, por coincidência, ambos atacantes e até considerados centroavantes, Marinho foi o que deu mais esperança, na importante vitória do Santos em Fortaleza, contra o Ceará, por 1 a 0, gol de Sasha. Uribe se mostrou “preso”, sem inspiração ou sinais de que tem realmente boa qualidade técnica.

Jorge Sampaoli, desde a sua chegada ao Santos, sempre sonhou com Uribe. Não dá para desprezar ou não considerar tal opinião. Pela origem, pelo longo trabalho no Chile e até na Argentina, com certeza, o treinador observou qualidades no jogador. Por isso e também pelo fato de ter sido uma estreia, com pouco tempo de convivência com o grupo, vale a concessão de um voto de confiança.

Marinho, ao contrário, mostrou velocidade, movimentação tática inteligente e até perfil de goleador. Também é cedo para fechar uma avaliação, porém, provocou, pelo menos, um pouco mais de otimismo. Uma pena que em pouco mais de uma semana a competição seja interrompida para a disputa da Copa América, em mais uma demonstração de que o nosso calendário, e até da maioria dos países do cone sul, esteja na contramão da Europa.

Efetivamente, o Santos não fez um bom jogo, principalmente no primeiro tempo. Jorge Sampaoli surpreendeu mais uma vez, optando por Everson no gol e por Copete na esquerda. O goleiro até que foi bem, reafirmando a habilidade com os pés e qualidades como boa colocação, envergadura e tempo de bola nas saídas do gol. O colombiano, ao contrário, confirmou a má fase e nada acrescentou ao time.

Com a mudança no intervalo, o Santos até que melhorou um pouco, mas, a rigor, sua lucidez se limitou ao lance do gol de Sasha e mais um ou dois momentos ofensivos. Aliás, vale destacar a jogada que garantiu a vitória: um lançamento perfeito de Jean Mota, um passe inteligente de Felipe Jonatan e um toque de craque de Sanchez para a cabeçada de Sasha. A cada jogo, o uruguaio consolida sua importância.

Importante ressaltar que o Santos enfrentou um time com qualidades e ainda teve sorte. O lance da bola no travessão, após a saída complicada do goleiro Everson, foi um momento decisivo na vitória, que garantiu até a liderança do campeonato por um curto período, já que Palmeiras e Atlético Mineiro entrariam em campo somente no complemento da rodada, à noite. E ambos venceram, o primeiro a Chapecoense, por 2 a 1, e, o segundo, o CSA, por 4 a 0.

Com isso, o Palmeiras é o 1º., com 16 ( e um jogo sub judice), o Atlético o 2º., com 15, e o Santos o 3º., com 14 pontos em 21 disputados. Uma boa média, principalmente pelo fato de somente agora ter montado um elenco razoável.

Com sete rodadas, as decepções são Grêmio, Cruzeiro e até o São Paulo, apesar dos 12 pontos. Porém, continua sem inspiração e sem apresentar um futebol que provoque um mínimo de otimismo em seu torcedor, que vive a protestar e ameaçar jogadores e até o técnico Cuca. Os três jogos contra o Bahia, que incluíram a eliminação da Copa do Brasil, são um sinal forte da fase do clube.

Com certeza, essa crise vai além da qualidade do elenco. Passa, sem dúvida, pela diretoria e até pelo comando do futebol. Ninguém conseguiu assimilar, por exemplo, a imagem de Raí em Roland Garros, em Paris, acompanhando uma bela partida de tênis enquanto o time era eliminado de uma importante competição nacional.

A alegação de que a ida a França envolvia um compromisso assumido anteriormente é infantil e inaceitável. Pela função que desempenha no São Paulo e pelo momento grave do clube, a viagem é injustificável.

Na parte inferior da tabela, nenhuma surpresa. Nem mesmo a presença do Vasco, clube que há muito vive um processo contínuo de desorganização e deterioração de sua tradição.

Dificilmente evitará uma nova queda para a segunda divisão.

P.S.: Há exatamente uma semana, após o empate com o Internacional na Vila Belmiro, o jogador Rodrygo informou em entrevista que estava liberado da apresentação à seleção brasileira sub-20.

De repente, mesmo estando em Fortaleza, o jogador sequer foi relacionado para a reserva, causando grande surpresa. Mais tarde, surgiu a informação de que o Santos teve receio em utilizá-lo por não ter obtido formalmente a liberação do jogador por parte da CBF. O temor era de que poderia ser punido em caso de escalação do atacante.

Rigorosamente uma semana!

Impõe-se apurar tanta falta de profissionalismo. É caso até para demissão.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.