O ex-jogador e ex-técnico da seleção brasileira Dunga foi bem sincero e objetivo ao participar, na sexta-feira, em Nova Iorque, do sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Disse ele: “Quem quer ser campeão não pode escolher adversários” (Divulgação/Rafael Ribeiro/CBF) O ex-jogador e ex-técnico da seleção brasileira Dunga foi bem sincero e objetivo ao participar, na sexta-feira, em Nova Iorque, do sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Disse ele: “Quem quer ser campeão não pode escolher adversários”. Mais do que uma frase de efeito, comum entre os jogadores de futebol, essa é uma verdade. A busca pelo título, no caso do Brasil o hexacampeonato, impõe superar todos adversários, independentemente da qualidade técnica. O Brasil caiu no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. Longe de ser um grupo da morte, como tradicionalmente é chamado aquele em que os adversários são fortes e tudo pode acontecer. A estreia será contra Marrocos, a melhor seleção do continente africano. Na Copa do Catar, a equipe conseguiu um feito histórico ao se classificar para a semifinal, quando perdeu para a França. Sem dúvida, os marroquinos evoluíram muito e serão um adversário difícil. Porém, em tese, o Brasil tem ótimas condições de se classificar com relativa tranquilidade e terminar como primeiro do Grupo C. Haiti e Escócia são meros coadjuvantes. O sistema de sorteio, com cabeças de chave a partir do ranking da Fifa, praticamente limita confrontos diretos entre grandes potências na fase inicial. Isso ainda pode acontecer, pelo fato de a Itália depender da repescagem que ocorrerá em março. Se conseguir a classificação, entrará no Grupo B, ao lado de Canadá, Catar e Suíça. O time italiano, porém, atravessa uma longa crise e corre até o risco de, mais uma vez, ficar de fora do maior torneio mundial. Vale lembrar que, na Copa de 1982, a Itália chegou desacreditada e sob violentas críticas, mas terminou campeã, justamente contra o Brasil e sua mágica equipe. Salvo exceções, a Copa sempre começa após a etapa de grupos, na fase eliminatória. A partir daí, se perder, só resta voltar para casa. Caso termine em primeiro lugar da sua chave, o Brasil deve enfrentar o segundo colocado do Grupo F, que terá Holanda, Japão, Tunísia e um classificado do playoff europeu. Sem dúvida, uma fase bem mais difícil, pois pelo menos três equipes têm potencial. Ainda recentemente, por exemplo, num amistoso e em razão de falhas individuais, o Brasil perdeu para a seleção japonesa por 3 a 2, de virada. Obviamente, a partir das oitavas de final, podem ocorrer até grandes clássicos, contra Alemanha, França, Senegal e Noruega, dentre outros. Nessa altura, faz parte esse quadro, pois até a final os confrontos diretos serão naturais. O Brasil finalmente vive um momento de relativa paz interna, tanto no comando da CBF como na parte técnica. No campo, o clima positivo se dá pela presença de Carlo Ancelotti, um treinador sereno, competente e coerente. Por ser estrangeiro, não tem compromissos diretos com clubes ou grupos, o que permite atuar com independência. Tem uma grande visão mundial e rapidamente se adaptou ao Brasil e seus críticos. Desde a posse, mesmo nas derrotas em Datas Fifa, tem passado imune ao turbilhão que normalmente envolve a seleção nacional. Gradativamente, ele fez experiências, observou os brasileiros pelo mundo com absoluta convicção e já definiu quase 20 nomes do grupo de 26 que irá para a Copa do Mundo. Suas dúvidas são pontuais, nas laterais e em uma ou outra posição no ataque. Fora isso, sua seleção está pronta. E ainda poderá ter o reforço de Neymar, que nessa reta final de Campeonato Brasileiro, mesmo com um pequeno problema físico, demonstrou que é muito diferenciado e pode acrescentar bastante ao time nacional. Sua volta para a seleção não depende sequer de Ancelotti, basta comprovar que fisicamente está apto para jogar a Copa do Mundo e disputar com Messi, Cristiano Ronaldo, Vinicius Júnior, Estêvão, Lamine Yamal, Mbappé e outros o protagonismo do futebol mundial. Em síntese, como a velha frase do latim, em grafia medieval, “alea jacta est”. Frequentemente e erroneamente traduzida para “a sorte está lançada”, para muitos o real significado é “o dado foi lançado”. É atribuída ao imperador Júlio César, quando ele cruzou o Rio Rubicão com suas legiões, algo proibido pelas leis romanas. Na prática, um sinal de pura imprevisibilidade sobre o que iria acontecer. Como ocorre com a próxima Copa do Mundo.