Márcia Atik

Psicóloga, terapeuta sexual e de casal, Marcia Atik também é membro do Centro de Pesquisas em Sexualidade.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

Vamos realizar todas as nossas fantasias sexuais?

As fantasias sexuais não são absorvidas como necessárias, pois carregam o pejo de serem uma fuga da realidade.

A sexualidade é um assunto emblemático, altamente significativo, muito mais pelas proibições e tabus do que pela sua vivência simples e descontraída. Por isso, percebe-se uma tendência a torná-la objeto de regras onde o certo e o errado estão cada vez mais presentes e acabamos nos aprisionando nele, trombando com nossos reais desejos.

Nos dias em que o corpo está desnudo sem preconceitos, em que se fala de sexo na sala de visitas, como podemos imaginar que ainda temos aspectos não ditos nessa história?

Assine o Portal A Tribuna agora mesmo e ganhe Globoplay grátis!

Pois é! O discurso corrente ainda é o de que só é feliz quem está dentro dos padrões, como se nessa vivência pessoal - que é a da nossa sexualidade – existisse um padrão.

Em sexualidade temos dezenas de aspectos com pontos cegos, dúvidas e dificuldades, mas hoje eu estou falando das fantasias sexuais.

O que são fantasias sexuais senão aspectos do jogo erótico? E quantas culpas elas trazem quando existe a dificuldade de colocar o parceiro no jogo e, às vezes, até em admitir esses desejos?

Apesar de ser um aspecto a mais no estímulo do desejo, as fantasias sexuais não são absorvidas como necessárias, pois carregam  o pejo de serem uma fuga da realidade,as vezes consideradas, dramaticamente, como traição por casais menos avisados, e isso não é verdade, pois são apenas mais um instrumento para a intimidade e para desenvolver códigos e padrões peculiares para o casal.

Pois é esse, em suma, o grande segredo para um encontro sexual prazeroso, ou seja, a alegria e a diversão do encontro.

Os rituais íntimos e os segredos entre os casais fortalecem a ligação e estimulam a cumplicidade e intimidade. 

Ao sair da rotina e do mundo real existe a possibilidade de viver a novidade, tornando o encontro sexual dinâmico e interessante.

É muito cruel esse discurso de ser mais criativo, sem se falar do caminho mais leve e fácil para isso - o da imaginação.

Como falamos no início desse nosso papo, o aspecto de nossa vida mais permeado de culpas e proibições é o sexo e, na intimidade do quarto, o casal deve se permite liberar sentimentos, desejos represados, amadurecendo a relação e potencializando a intimidade.

Esse casal é feito de pessoas que, individualmente, também têm suas duvidas. E esse liberar-se permite viver a liberdade de expressão contribuindo para a auto-estima.

Muito mais que realizar as fantasias, é importante permitir-se imagina-las, admiti-las e levá-las em conta como necessidade e brincadeira prazerosa validando a experiência pessoal, permitindo-se amadurecer na sua sexualidade, fazendo caminhos muito pessoais e exclusivos.

Ao experimentar novas alternativas para se excitar, a pessoa tem mais contato com a própria sexualidade, percebendo melhor seus limites,  desejos e capacidades na cama.

Resultado: sua performance é que sai ganhando.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.