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Sábado

19 de Outubro de 2019

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Unindo o útil ao agradável

Terminal Marítimo de Passageiros poderia estar localizado em área diferente, para abrigar e satisfazer melhor os turistas que vêm a Santos

Na primeira coluna deste mês, quando abordei os preocupantes índices do desemprego no país, mencionei uma ideia que acredito ser viável e de grande importância para mudar o atual cenário no Centro de Santos. Diante das inúmeras manifestações que recebi sobre o tema e a repercussão da proposta na mídia, tomo a liberdade de retomar o assunto.

Por muitas vezes, me perguntei o que teria motivado a instalação do Terminal Marítimo de Passageiros no local em que se encontra hoje, à beira da Avenida Perimetral. Tenho a certeza de não ser o único a perceber a total inadequação daquele importante equipamento estar situado ali, no meio do nada.

Um dos principais atrativos numa viagem de cruzeiro é poder desembarcar na cidade em que o navio aporta para conhecer os atrativos locais, de preferência a pé. Quem chega com essa intenção a Santos fica desapontado. Não há restaurantes, museus, lojas de suvenir, enfim, nada que possa interessar a um turista nas redondezas. Ao contrário: os que se prestam a deixar o terminal se deparam com vias inadequadas para pedestres, trânsito pesado de caminhões e rede de serviços praticamente inexistente.

Por que não transferir o Concais para outro ponto? Quando comecei a defender esse plano, algumas pessoas opinaram que o melhor local seria a Ponta da Praia, devido à vista privilegiada de sua beira-mar. Algo indiscutível, diga-se. Mas, trata-se de um bairro de característica residencial, com espaço limitado para a chegada de novos empreendimentos. Na minha visão, o Centro é a região que melhor se adaptaria às necessidades de um complexo desse tipo.

O terminal poderia ser reposicionado no Valongo, entre os armazéns 1 e 8, que estão sem uso e caindo aos pedaços. Isso possibilitaria a chegada e saída de várias embarcações ao mesmo tempo, o que não ocorre atualmente. Não haveria perda para a Codesp, pois a área atual do Concais poderia ser utilizada como um outro atracadouro. O trânsito dos passageiros de cruzeiros fatalmente alavancaria o turismo do Centro, cujo potencial hoje é pouco explorado, e desencadearia uma real revitalização econômica da região.

Atrativos não faltam: vão desde Museu Pelé, Santuário do Valongo e Museu de Arte Sacra até Bolsa do Café, Conjunto do Carmo, Monte Serrat, entre tantos outros. A reboque, o comércio ganharia força e a própria atividade financeira local geraria novas oportunidades e iniciativas.

Parece inviável? Não acho. O contrato de concessão ao Concais não impede que o serviço passe a funcionar em um local diferente. Tudo pode ser dialogado e juridicamente adaptado. Quando se começou a falar na recuperação do Puerto Madeiro, na Argentina, durante a década de 1980, muita gente também considerou impossível. Hoje, a área atrai milhares de turistas. Tanto o Governo Federal quanto o Governo do Estado vêm se mostrado abertos a inovações. A prefeitura santista vê a proposta com bons olhos. Se todos têm a ganhar, por que não tentar?

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