EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

18 de Novembro de 2019

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Tragédia anunciada

Na quarta-feira, um morador da Capital teve a morte confirmada em decorrência do sarampo. Trata-se do primeiro óbito nos últimos 22 anos causado pela doença

Na quarta-feira (28), um morador da capital paulista, de 42 anos, teve a morte confirmada em decorrência do sarampo. Trata-se do primeiro óbito nos últimos 22 anos causado pela doença – que havia sido considerada erradicada no Brasil em 2016. O certificado foi retirado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no ano passado, diante do surgimento de novos casos no país.

Infelizmente, o fato revela uma tragédia anunciada. O munícipe paulistano, assim como tantas outras pessoas Brasil afora, não possuía registro de imunização. O retorno da doença tem uma causa evidente: boa parte da população deixou de se vacinar nos últimos anos. Como não havia mais registros de sua incidência, muita gente passou a considerar desnecessário se proteger. Ledo engano.

São Paulo tem o maior número de casos confirmados no país – 2.457, conforme a Secretaria de Estado da Saúde. Destes, 1.637 na Capital. A campanha de vacinação da Secretaria Municipal de Saúde contra o sarampo termina neste sábado (31 de agosto). No entanto, os índices em relação ao público-alvo preocupam: até esta quinta-feira (29), a cobertura vacinal havia atingido somente 62,9% dos bebês. A situação é pior entre as pessoas de 15 a 29 anos, pois apenas 41,4% procuraram a dose.

É urgente pensar formas de mudar esse cenário desde já. Não somente em relação ao sarampo, mas outras doenças consideradas erradicadas, como a rubéola e a poliomielite. Pode parecer chover no molhado, mas, em saúde, é sempre melhor prevenir do que remediar.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), estou trabalhando para que uma proposta que apresentei em maio possa ser pautada para votação. O projeto de lei (PL) pretende condicionar a matrícula em qualquer escola paulista à apresentação da carteira de vacinação do aluno. O documento deve estar atualizado, contendo os atestados de todas as vacinas consideradas obrigatórias para cada faixa etária até os 18 anos, conforme determina o Calendário de Vacinação da Criança e o Calendário de Vacinação do Adolescente.

Outras proposituras de teor semelhante tramitam na Casa, mas a nossa tem um detalhe significativo – inclui, já na ementa do projeto, a obrigatoriedade de que a medida seja adotada tanto por escolas da rede pública quanto pelas particulares. É a garantia de que a cobertura vacinal no estado atingirá todas as pessoas em idade escolar.

O PL não tem caráter punitivo – pretende conscientizar as famílias para a importância da imunização na prevenção de enfermidades. Caso o estudante não possua alguma das vacinas, ele ainda poderá formalizar a matrícula. Se o responsável não regularizar sua situação em até 60 dias, então o caso é submetido ao Conselho Tutelar.

Acredito que, por meio da educação, podemos abrir os olhos da população. Apagar incêndios não basta – o melhor remédio é evitar o surgimento do fogo. Antes que seja tarde demais. 

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.