Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

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Solidariedade que corre nas veias

Com a chegada do novo coronavírus, no entanto, a situação dos bancos de sangue atingiu níveis alarmantes

Não é de hoje que os bancos de sangue sofrem para conseguir abastecer seus estoques. Com a chegada do novo coronavírus, no entanto, a situação dessas unidades importantíssimas para toda a cadeia da saúde atingiu níveis alarmantes.

Um exemplo crítico é o do Hemonúcleo de Santos, responsável pelo fornecimento ao Hospital Guilherme Álvaro (HGA) e, ainda, por serviços de saúde em Mongaguá, Bertioga e São Vicente. A média de 500 doadores por mês caiu para 125 em junho, reduzindo em 75% suas reservas.

Não se trata de caso isolado. O banco de sangue da Santa Casa de Santos também assistiu a uma redução de 62,5% no número de doadores durante a pandemia. O índice é semelhante ao registrado no hemocentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, cuja queda atingiu nível de 60%.

É urgente criarmos formas de incentivar as pessoas a doar sangue, a curto e médio prazos. A retomada gradativa das atividades nos municípios pode facilitar o retorno daqueles que tinham o hábito mas não se sentiam mais seguros para fazê-lo. Por outro lado, com a crescente desocupação dos leitos destinados a pacientes da Covid-19, a tendência é haver um aumento na realização das cirurgias eletivas, que até então estavam sendo canceladas. Daí a necessidade de haver estoques disponíveis.

Em dezembro, já preocupado com o desabastecimento de alguns hemocentros, apresentei uma indicação ao Governo do Estado. Sugeri que o Poupatempo, programa espalhado por diversas municípios paulistas, pudesse contar com postos para a coleta de sangue, preparados com os devidos cuidados. Com um grande fluxo diário de pessoas, esses espaços poderiam estimular a doação. Não seria preciso o cidadão ter de se dirigir a um hospital, por exemplo.

Depois de Santos e Guarujá, as unidades de Praia Grande e São Vicente também voltaram a abrir para o público. Respeitando todos os protocolos de segurança, esses prédios de serviços teriam as condições de encampar as doações. Num primeiro momento, por meio de agendamentos prévios. E quando a situação estiver normalizada, com um número de atendimentos maior.

Dizem que a doação de sangue é um ato de amor. Encontrarmos formas de viabilizá-la, assim, é um ato de responsabilidade social.

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