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Sábado

11 de Julho de 2020

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Sinal vermelho

Na quarta-feira (13), o governador João Doria anunciou que a Baixada Santista já é a segunda região no Estado mais afetada pelo coronavírus

Uma festa realizada na Riviera de São Lorenço, no último dia 3, ganhou repercussão nas redes sociais não apenas pelos vários carros luxuosos estacionados à frente da casa. Naquele final de semana, mesmo com São Paulo e outros 17 estados anunciando a ampliação do isolamento social, o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil casos confirmados do novo coronavírus.    O lema ‘fique em casa’, ali, foi solenemente ignorado.

Voltemos aos dias atuais. Enquanto escrevo este texto, o número de casos no País quase dobrou (196 mil). Na quarta-feira (13), o governador João Doria anunciou que a Baixada Santista já é a segunda região no Estado mais afetada pela doença (3.224 casos, até ontem). Mesmo com o triste índice de 206 mortes oficiais ocorridas na região, a necessidade do distanciamento social no enfrentamento ao vírus ainda é minimizada por muita gente. Infelizmente.

Não parece ser por acaso que a Baixada Santista avance nesse indesejável ranking. Na quarta, enquanto nossos vizinhos de Litoral São Sebastião (63%) e Ubatuba (61%) figuravam como os municípios com melhores índices de isolamento social em solo paulista (a faixa entre 60% e 70%), das nossas nove cidades, somente Itanhaém (56%), São Vicente (55%) e Guarujá (52%) apareciam dentro do patamar considerado ‘aceitável’ (de 50% a 60%).

Voltando à reunião de Bertioga citada no início da coluna, é preciso salientar que a grande maioria dos automóveis tinha placas de outras localidades (principalmente a Capital). Não se trata de um caso isolado. São frequentes os relatos sobre moradores de outras regiões que, aos finais de semana, têm optado por descer à Baixada. Sobretudo nos dias ensolarados. Quem acompanha meu mandato, sabe que considero o turismo a principal alavanca para o desenvolvimento econômico da região. Mas o momento é de exceção.

Além do fato de um potencial transmissor poder propagar o vírus num dos nove municípios, há a hipótese também dessa pessoa precisar ser atendida às pressas na rede local de saúde em decorrência da doença. A média atual de ocupação de nossos leitos de UTI é de 80%, sinal de que que o sistema pode entrar em colapso em breve. Daí toda a preocupação.

O momento delicado exige ações efetivas que dificultem a disseminação do coronavírus, ainda que impopulares. A saúde pública tem de estar sempre em primeiro plano. Defendo que somente os veículos com placas das cidades da Baixada Santista possam utilizar o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), no sentido Planalto-Litoral, durantes os finais de semana e feriados, enquanto a quarentena persistir. Exceção feita a caminhões e veículos de serviços essenciais (ambulâncias, bombeiros, polícias etc). Pode ser um mal necessário.

Quando a situação estiver comprovadamente sob controle de novo, ainda assim sou favorável a uma reabertura gradual dos postos de serviço. Levei a proposta ao Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista): um escalonamento com os profissionais liberais, escritórios e consultórios atuando apenas pela manhã, enquanto o comércio varejista (lojas, salões, shopping centers) passe a funcionar no período da tarde.

Repito: tudo isso somente é possível depois de atravessarmos a fase crítica que enfrentamos agora. É hora de redobrarmos os cuidados protetivos. Mais do que nunca, avançar o sinal pode ser fatal.

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