Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

Remando a favor da maré

Autoridade Portuária de Santos está elaborando o chamamento público para os estudos necessários à implantação de um terminal de passageiros no Cais do Valongo

Se o descrédito de algumas pessoas me influenciasse durante meus tempos de vereador em Santos, provavelmente não teria tirado do papel iniciativas como a biblioteca móvel (projeto Leia Santos), os parques de calistenia da orla, a passarela para cadeirantes da praia ou o Bike Santos (bandeira pela qual lutava muito antes de me eleger pela primeira vez, em 2012).

Assim como na vereança, também não costumo desistir dos meus sonhos agora na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Não importa o quão difíceis possam parecer. Meu pensamento é simples: se tive a honra de alcançar o mandato de parlamentar estadual, uma vez no cargo não me custa tentar.

Muita gente riu quando, ainda na campanha de 2018, eu disse que trabalharia pela retomada da linha do trem turístico entre São Paulo e Santos. Pois, no ano seguinte, tive a oportunidade de participar, junto com o vice-governador Rodrigo Garcia, de uma das bem-sucedidas viagens de teste do modal – que, por ora, aguarda a definição federal sobre o novo marco regulatório do setor ferroviário para ser retomado.

Não foi diferente com outra proposta apresentada por mim em meados de 2019: a mudança do Terminal Turístico de Passageiros, hoje à beira da Avenida Perimetral, para o Valongo, bairro histórico de Santos. Apesar das costumeiras manifestações de descrença, me causou grata surpresa a quantidade muito maior de pessoas apoiando a ideia – que fiz questão de levar pessoalmente ao prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, ao governador João Doria e ao então chefe da Autoridade Portuária de Santos (APS), Casemiro Tércio Carvalho. Todos se mostraram simpáticos ao plano.

Nesta semana, passado exato um ano, chega a boa notícia: a APS (antiga Codesp) está elaborando o chamamento público para os estudos necessários à implantação de um terminal de passageiros no Cais do Valongo, na Margem Direita do complexo marítimo. O projeto já está previsto no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos, aprovado em julho. O PDZ não afeta os contratos de arrendamento do atual Terminal, previsto para terminar em 2038. Ou seja: não há embaraço jurídico.

O novo equipamento traz dois pontos importantíssimos para o desenvolvimento regional. A mudança para o Valongo fará com que a cadeia econômica do Centro santista seja fortalecida, com um aumento significativo de turistas (que hoje preferem nem descer dos navios) e, por consequência, de postos de trabalho.

Por outro lado, o porto sai beneficiado. A região de Outeirinhos, onde está situado o atual terminal, é vocacionada para a operação de granéis minerais. A presença dos navios de passageiros causa um entrave às atividades naquele trecho. A APS estima que a alteração permitirá o crescimento da capacidade de movimentação de cargas do cais em até 50% até 2040.

Qualquer caminhada rumo a uma grande mudança precisa de um primeiro passo. Esta, no Porto de Santos, já está em curso.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.