Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

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Entre quatro paredes

Números referentes à retomada de aulas mostra que nem todos os responsáveis estão confortáveis para enviar seus filhos aos bancos escolares

As escolas da rede pública paulista (municipais e estaduais) voltaram a receber estudantes na segunda-feira. Algumas particulares já haviam iniciado o processo na semana anterior. Apesar de todos os protocolos sanitários obrigatórios, o índice de alunos que poderiam retornar – 35% do total – não foi atingido na maior parte das unidades.

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O fato demonstra, pelo menos nesse início de retomada do ensino, que nem todos os responsáveis estão confortáveis para enviar principalmente as crianças aos bancos escolares. Há motivos. A Secretaria de Estado da Educação informou que sete escolas estaduais foram fechadas por casos de infecção de coronavírus entre funcionários antes mesmo de abrirem as portas.

Integro a Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Nós, do colegiado, estamos atentos aos desdobramentos desse primeiro mês de reinício das aulas presenciais. Só então poderemos avaliar os resultados práticos dessa medida.

O ano passado foi uma exceção. O ensino a distância não substitui as aulas presenciais na alfabetização de crianças e no ensino para adolescentes. Me parece que isso é bastante claro para todos. Mas compreendo os argumentos dos professores que discordam do retorno imediato às escolas. Estamos aprendendo com o ‘carro andando’ no que se refere à transmissão da doença no ambiente escolar. Por isso é preciso cuidado.

As crianças não são imunes ao vírus, apesar de os casos de desenvolvimento da doença nesse grupo serem menos comuns. O problema é que elas, na maioria, são assintomáticas. É daí que vem o receio de uma contaminação ‘silenciosa’. Uma situação complicada para os trabalhadores das escolas, principalmente da rede pública, onde a falta de estrutura é visível. E também para os pais e familiares, que travam contato diário com os alunos.

É inegável que os professores ficam expostos. No mundo ideal, seria importante que a categoria também tivesse acesso prévio à vacina. Isso possibilitaria uma volta à ‘normalidade’ mais segura, inclusive com a participação de mais estudantes em sala. Sabemos que muitos não têm acesso à internet, o que provoca um descompasso entre os graus de aprendizado.

Como a realidade se impõe no Brasil e estamos (muito) longe de assegurar a imunização para todos, resta aos profissionais da educação tomar todas as preocupações nesse momento. Sem professor, afinal, não teremos aulas presenciais nem virtuais.

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