Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Crianças não são imunes

Centro de Contingência do Coronavírus decide adiar a retomada das aulas presenciais para 7 de outubro

Em junho, o Governo do Estado anunciou que as aulas presenciais na rede de ensino paulista voltariam a partir de 8 de setembro. Nesta semana, no entanto, por recomendação do Centro de Contingência do Coronavírus, a retomada foi adiada para 7 de outubro.

A decisão foi tomada, segundo o governador João Doria, para “garantir uma margem de segurança ainda maior para as crianças, adolescentes, professores, gestores e profissionais da rede pública e privada de ensino e, obviamente, para os seus familiares”. Sensato. Mas o que nos garante que, daqui dois meses, a situação estará controlada o suficiente para que todas as escolas reiniciem as atividades? Sejamos sinceros: nada.

Naquele 24 de junho, quando do primeiro anúncio, havia 42.725 casos confirmados em solo paulista. Nesta quinta-feira (13), já chegavam a 655.181. Ainda que parte dos municípios esteja na fase amarela do Plano São Paulo, com a atividade econômica retomada parcialmente, estamos longe de poder afirmar que o cenário é tranquilo. Não é.

As crianças e os adolescentes são nosso bem mais precioso. Há uma série de fatores adjacentes ao retorno das aulas: a convivência em turmas, os acessos internos, o deslocamento (leia-se transporte) e a alimentação, entre tantos mais. Por mais que os protocolos de segurança sejam estabelecidos, qualquer brecha pode ser fatal.

Ao contrário do que alguns pensam, os menores de idade não estão imunes à doença. Dados da Secretaria de Estado da Saúde divulgados na quarta-feira (12) mostram que 41.717 já foram diagnosticados com a Covid-19 – abaixo de 10 anos (14.265) e entre 10 e 19 anos (27.452). Há, ainda, o perigo de que um aluno contaminado assintomático possa levar o vírus para familiares, professores etc.

Não é à toa que uma pesquisa feita pela Prefeitura de Santos apontou que 80% dos responsáveis pelos alunos da rede municipal são contra o retorno dos estudantes às aulas. Não só isso: defendem as atividades presenciais somente em 2021. Outros municípios da Baixada Santista também demonstram cautela. Não é exagero. Nos Estados Unidos, na semana passada, o departamento de saúde de Indiana notificou uma escola um dia após esta retomar as atividades: um estudante, que circulou por corredores e salas, havia testado positivo para o coronavírus.

Enquanto integrante da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), tive a oportunidade de vistoriar muitas escolas estaduais da nossa região. Se vi exemplos positivos – e tenham certeza de que existem –, observei também unidades em estado lastimável. Fica difícil supor que um equipamento que já enfrentava tamanha dificuldade tenha, de repente, condições para atender a todos os protocolos exigidos contra o coronavírus.

Acho prematuro estipularmos datas para a retomada. Ainda estamos aprendendo a como nos portar nessa nova realidade, dia após dia. Traçar um cronograma definitivo, agora, é pisar em areia movediça. Enquanto educador, posso dizer: o aprendizado nós podemos recuperar; as vidas, infelizmente não.

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