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Domingo

15 de Dezembro de 2019

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Arrastão da vergonha

Feriado da Proclamação da República foi marcado por ocorrências policiais nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Não basta o motorista de um automóvel pagar R$ 27,40 de tarifa de pedágio: como bônus, ele ‘ganha’ a chance de ser assaltado em um arrastão. Foi isso o que ocorreu com alguns carros que utilizavam o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) no domingo passado. Não se tratava de uma ‘promoção’ do feriado prolongado da Proclamação da República – A Tribuna On-line noticiou que, no dia 3, a mesma ação foi registrada na chegada a Cubatão, na Via Anchieta. E ainda nem estamos na temporada de férias, período em que as estradas ficam lotadas.

Nesta semana, utilizei a tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para, mais uma vez, cobrar providências por parte da Ecovias – administradora do SAI – no sentido de adotar novas medidas para minimizar os riscos de assaltos em ambas as vias. Acredito que se a empresa direcionasse a mesma preocupação que tem com a instalação de radares para a implementação de mais câmeras de monitoramento, teríamos o sistema rodoviário mais seguro do planeta.

Nada contra os radares, muito pelo contrário. O excesso de velocidade deve, claro, ser coibido. Mas, tudo de acordo com a lei e... Às claras. Os equipamentos, antes, ficavam na entrada dos túneis da descida da Rodovia dos Imigrantes, à vista de todos. Agora, para driblar os aplicativos de GPS (como o popular Waze), eles passaram a operar no interior dos túneis, onde o sinal é interrompido. Coincidência ou não, o motorista não sabe onde exatamente estão instalados.

A Resolução 396/11 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) prevê que os radares estejam visíveis aos condutores. Você, que utiliza ou já utilizou a Imigrantes, sabe dizer com precisão onde todos os equipamentos estão afixados? Pois é. Essa ‘falha’ soa a má-fé. Eu sempre insisto: radar não é armadilha, serve para educar o motorista.

Mas, vamos voltar à questão da segurança. Na minha primeira fala em plenário após chegar à Alesp, em março, salientei a necessidade de a Ecovias repensar a Operação Subida (2x8). O morador da Baixada Santista, que arca com os mesmos R$ 27,40 do pedágio de quem sobe a serra, é obrigado a utilizar a pista Sul da Anchieta. Além de enfrentar o congestionamento e ter que dividir espaço com caminhões, o motorista fica à mercê da ação de bandidos. É nesse trecho que as principais ocorrências são registradas. Não por acaso.

O irônico é saber que, por um erro no projeto da pista Sul da Rodovia dos Imigrantes (a que possui os tais radares ‘ocultos’), os residentes na região que usam ônibus precisam passar por esse sufoco todos os dias para voltar para casa. Conforme a própria Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) já nos justificou, a pista foi construída com uma inclinação acima da ideal, o que impediria o tráfego de veículos pesados. Portanto, ainda que contra a vontade, eles são relegados a utilizar a Anchieta.

No mês passado, fiquei impossibilitado de participar da reunião de uma das comissões que integro no Parlamento paulista por chegar atrasado à Capital em razão de um congestionamento no SAI. Pode parecer banal, mas não é. Isso interfere, e muito, na vida das pessoas. Também não me parece justo termos, durante a Operação Descida, apenas duas pistas para chegar ao Litoral. Sendo que, repito, desembolsamos o mesmo valor de pedágio dos outros condutores. Que a Ecovias passe a dedicar também a nós, da Baixada Santista, a mesma atenção.

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