Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

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A luta contra um inimigo silencioso

Dia 14 de novembro foi celebrado o Dia Mundial do Diabetes

O sonho de não precisarmos mais ver no calendário internacional o Dia Mundial do Diabetes, celebrado neste 14 de novembro, parece distante. Infelizmente, cada vez mais. A data foi instituída em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) junto à Organização Mundial de Saúde (OMS) para conscientizar o mundo sobre os problemas associados à doença: AVC (derrame), infartos, insuficiência cardíaca e renal, perda da visão, entre outras complicações.

Pois o 9º Atlas de Diabetes, estudo produzido pela IDF neste ano, aponta que há 463 milhões de pessoas convivendo com a doença no mundo – sendo 17 milhões apenas no Brasil. Isso representa um aumento de 38 milhões (8,2%) de indivíduos em relação ao último levantamento apresentado pela entidade, em 2017. É algo muito preocupante.

Há um consenso entre os especialistas de que quanto antes se descobrir a enfermidade, menos complicado será lidar com ela. O problema é que se trata de algo silencioso. Estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) revelam que entre 40% e 50% dos diabéticos não sabem que têm a doença. Pensando nisso, apresentei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei (PL) que estabelece diretrizes para a implementação de ações de prevenção e controle do diabetes em crianças e adolescentes matriculados nas escolas – públicas e privadas – paulistas.

Entre outros itens, o PL prevê medidas para o diagnóstico precoce entre os estudantes, estímulo a pesquisas que tenham como alvo as peculiaridades do surgimento do diabetes na infância e na adolescência, realização de campanhas educativas e conscientização para hábitos alimentares saudáveis e prática de atividade física regular.

Na execução das diretrizes do projeto, está estipulada a criação de um banco de dados com informações relativas ao número de crianças e adolescentes atendidos pelos serviços de saúde no estado, a atuação conjunta dos sistemas estadual e municipal de ensino para planejamento, monitoramento, execução das ações propostas e, ainda, a possibilidade de parcerias das unidades escolares com hospitais e órgãos públicos ou privados, organizações não governamentais e afins para a implementação dessas medidas.

Há um outro dado importante do ponto de vista das políticas públicas de saúde. A despesa médica com os pacientes no país ficou em US$ 3.117 anualmente, a mais alta na América do Sul. Estima-se que, até 2030, esse gasto na região aumente 15,3%. A prevenção à doença, portanto, torna-se também um fator de economia para o já combalido sistema público de saúde, que hoje precisa tratar pacientes que poderiam ter evitado o diabetes lá atrás.

A pesquisa da Federação Internacional de Diabetes mostra que 95.800 menores de 20 anos convivem com o diabetes tipo 1 (autoimune) no Brasil, índice que coloca o país em terceiro lugar no ranking mundial, depois de Estados Unidos e Índia. É preciso identificar e atacar o problema desde cedo – e o quanto antes.

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