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Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

A importância de ser prudente

Nova Zelândia deu exemplo de como enfrentar a pandemia do coronavírus

Bem disse o escritor francês Victor Hugo: ‘A prudência é a filha mais velha da sabedoria’. Com 1.157 casos e 22 mortes ocasionadas pelo coronavírus, a Nova Zelândia é apontada como a nação que melhor soube fazer o enfrentamento à pandemia. Na segunda-feira (15), mesmo após 24 dias sem registrar um único novo portador da doença, a primeira-ministra Jacinta Ardern afirmou que não declararia o país oficialmente livre do vírus porque “teremos outros casos no futuro”.

Ainda que o cenário estivesse favorável para se considerar no estágio pós-pandemia, a premiê manteve os pés no chão e não subestimou o poder da Covid-19. Estava certa: na terça (16), o país divulgou que duas de suas cidadãs, que hoje residem na Inglaterra, testaram positivo em solo neozelandês, onde as medidas de restrição estão suspensas desde o dia 8. Uma brecha pontual se abriu no que vinha sendo conduzido com perfeição e, agora, terá de ser sanado.

O fato serve para ilustrar que, mesmo em um estado que conseguiu ‘domar’ o contágio, todo e qualquer cuidado é pouco frente ao novo vírus. Algo semelhante está ocorrendo na China. Mesmo com a expectativa de atingir 1 milhão de casos nesta sexta-feira (19), o Brasil, aos poucos, começa a afrouxar o isolamento social.

Em São Paulo, o Governo do Estado estabeleceu um plano que divide por fases de cores a retomada gradual das atividades. Antes considerada no estágio vermelho (alerta máximo), a Baixada Santista foi inserida no nível laranja (controle), que estipula uma série de exigências e limitações para a reabertura dos serviços considerados não essenciais.

O plano foi elaborado pelo Centro de Contingência de Saúde de São Paulo, formado por autoridades dos setores de saúde e sanitário. Independentemente dos que defendem ou se opõem às suas diretrizes, as regras estão aí e precisam ser cumpridas. E à risca – como previsto no projeto, a qualquer momento um município pode ter de retroceder em sua posição, caso a condição local piore.

As pessoas precisam entender que a liberação de alguns serviços não significa que a situação esteja dominada. Cenas de uma multidão aglomerada em filas na entrada de um shopping center não são nada condizentes com o cenário atual. Óbvio que ninguém está contente por ter de ficar confinado. O problema é que, caso isso não seja feito agora, são grandes as chances de termos de endurecer as medidas de proteção à frente. Como, aliás, já está ocorrendo em várias cidades.

É bom termos o exemplo da Nova Zelândia em mente. Não dá para descuidar: não só o poder público, mas a população precisa compreender que o momento é difícil e que as ações de proteção são a única solução viável. É necessário vivermos o momento com prudência. Do contrário, a tão sonhada nova normalidade ficará cada vez mais distante.

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