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Domingo

12 de Julho de 2020

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

Verdade acima de tudo!

Ex-ministro Sergio Moro ou presidente Jair Bolsonaro: em quem acreditar?

Quem falou mais a verdade: Sérgio Moro ou Jair Bolsonaro? Uma pesquisa do instituto Datafolha ouviu 1.503 pessoas por telefone sobre a troca de acusações entre o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente da república, Jair Bolsonaro, ocorridas no dia do pedido de demissão de Moro (24/04). O resultado apontou que 52% da população acreditam na palavra de Sérgio Moro, contra apenas 20% que creem que o presidente falou a verdade. 3 % entendem que ambos falaram a verdade, 6% que nenhum deles e 19% não souberam opinar. 

Eu sempre digo que contra fatos não há argumentos, e o resultado da pesquisa ilustra exatamente isso.

Na vida, e principalmente na política, as pessoas precisam se posicionar, precisam ter lado e deixar claro quem são e o que defendem. Hoje ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro sempre deixou claro a bandeira que defendia, lutou tanto na magistratura quanto no Governo Federal pelo combate irrestrito à corrupção e deixou o governo quando viu explícito na demissão do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que o combate à corrupção não era prioridade da gestão de Jair Bolsonaro, pelo contrário, ficou claro que o presidente estava disposto a pedir a cabeça de quem fosse necessário para ter interferência nas investigações da Polícia Federal. 

Os sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Moro praticamente implorou ao presidente que vetasse o retrocesso gigante no combate ao crime que significaria o juiz de garantias, mas novamente foi ignorado. 

O episódio da demissão de Valeixo foi o fim da linha. Deixou claro que os movimentos do Palácio do Planalto para trocar pessoas chaves do comando da PF em determinados locais não eram apenas coincidência, eram na verdade um movimento orquestrado para blindar algumas investigações diretamente ligadas à família Bolsonaro. E isso, não podia ser tolerado! 

Em sua defesa o presidente Jair Bolsonaro não conseguiu esclarecer as acusações do ex-ministro, apenas limitou-se a acusá-lo de tentar negociar a troca do comando da Polícia Federal por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), numa tentativa vexatória de acusar para se defender e tentar tirar o foco de si mesmo. 

Bolsonaro sabe quem está falando a verdade. Não só ele mas vários ministros do governo que acompanharam toda a situação também. Sergio Moro deixou a sua carreira na magistratura acreditando em um projeto que não existia, em uma carta branca que nunca recebeu e em um combate à corrupção que ficou apenas na propaganda eleitoral. Reflitam, quem nessa história foi o traidor? 

Bolsonaro chamou no último sábado, dia 02, o ex-ministro Sergio Moro de "Judas" e afirmou a apoiadores na porta do Palácio da Alvorada que ninguém daria um golpe em seu governo. A única pessoa que até o momento vem tentando sabotar o governo Jair Bolsonaro é ele mesmo, com sucessivos erros, falta de diálogo, condução vexatória do país diante da pandemia de Covid-19 que mostra o total desprezo pela vida humana, tentativa de interferir nas investigações da Polícia Federal e alianças com o Centrão para tentar blindar seus filhos da ação da Justiça. 

Se Sérgio Moro é o Judas. Quem seria Bolsonaro? Deus? Presidente, pare de criar crises, criar falsas narrativas a serem disseminadas pelo “gabinete do ódio” com o objetivo de confundir e enganar a população alimentando o delírio de que existe um golpe encabeçado pelo Supremo Tribunal Federal apenas para vitimizar-se e solidarizar a opinião pública. Bolsonaro, respeite a Constituição, as instituições e acima de tudo o povo brasileiro. Trabalhe para salvar vidas, visite hospitais, arregasse as mangas e mostre que se importa com a sua nação e não apenas com o seu governo. 

E daí? Isso é tudo que o presidente da república tem a dizer aos que questionam a indicação de um amigo dos filhos para assumir a Polícia Federal, aos que cobram explicações sobre os acordos que vem sendo feitos com mensaleiros, aos quase 13 milhões de desempregados, e aos familiares de mais de 7 mil mortos pela Covid-19 no Brasil?
 
Se o presidente da república governar com honra, fizer a gestão do país com comprometimento e colocar o pais acima dos seus interesses pessoais o Brasil sairá desta crise. O presidente precisa parar de sabotar a si mesmo, porque fazendo isso ele está sabotando junto o Brasil. “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”!

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