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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Segurança Pública na linha de tiro

Agentes de Segurança Pública são uma das categorias de profissionais mais expostas do nosso país

Os agentes de Segurança Pública são uma das categorias de profissionais mais expostas do nosso país. Dados demonstram que o Brasil é o país do mundo onde mais se mata policiais. Morrem, por ano, em média, 490 policiais no Brasil.

De acordo com o estudo realizado pelo Fórum de Segurança Pública, que ouviu mais de 10 mil agentes, 53,7% dos PMs têm receio “alto” e “muito alto” de desenvolver transtornos mentais. Dos PMs entrevistados, 15,1% sofrem de transtornos mentais comportamentais (TMC), como depressão e esquizofrenia, por exemplo.

Além disso, a rigidez do sistema de hierarquia dentro da corporação desponta como outra problemática apontada pelos policiais, fazendo com que os agentes escondam o problema de seus superiores. Segundo a pesquisa 55,4% dos policiais militares têm receio “alto” e “muito alto” de manifestar discordância da opinião de um superior.

Esses profissionais enfrentam inúmeros problemas, muitas vezes até desconhecidos pela sociedade, como o aumento nas taxas de suicídios e transtornos mentais. No início do ano a revista Exame publicou uma matéria divulgando números espantosos sobre a problemática pelo qual passam esses homens que arriscam a vida para garantir a nossa segurança.

Os dados mostram que em todo o Brasil temos cerca de 425 mil policiais militares, e só em São Paulo, estado com o maior efetivo policial do país, com mais de 90 mil agentes, 120 policiais militares cometeram suicídio entre 2012 e 2017.

Apesar da ausência de números precisos sobre o assunto, pois a corporação tende a tentar mascarar o problema, as informações obtidas mostram que a quantidade de policiais militares afastados é alta. Há relatos de afastamentos e suicídios, sem exceção, em todos os 26 estados e no Distrito Federal.

Em São Paulo, entre 2006 e 2016, 182 policiais militares cometeram suicídio. Para ilustrar melhor o tamanho da gravidade, isso significa que a cada 20 dias um PM tira a própria vida. Os números só pioraram. De 2012 até 2017 foram 120 policiais militares mortos, ou seja, um suicídio a cada 15 dias.

Dados do relatório da Ouvidoria das Polícias do estado relatam que houve 71 casos de suicídio entre 2017 e 2018. Mais grave: houve crescimento de 73% nas ocorrências, com 20 casos ao longo de 2017 e 51 registros em 2018.

Esses dados são tão alarmantes pois evidenciam que em algumas regiões o número de policiais mortos durante o horário de trabalho (87 casos) em confronto com o crime é menor do que o número de policiais que cometem suicídio.

A função “policial militar” está entre as mais perigosas, e o peso da alta mortandade profissional, somado ao temor da morte, pode ser, paradoxalmente, dois entre muitos fatores que influenciam a decisão do PM de cometer suicídio. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um policial militar ou civil foi morto por dia em 2017 no Brasil.

Tem algo grave ocorrendo e não podemos fechar os olhos para essa triste realidade. Precisamos de medidas urgentes para proteger os nossos policiais que estão colocando em risco a sua própria vida para proteger as nossas.

Também precisamos trabalhar em prol das outras categorias da Segurança Pública como os Policiais Federais, Policiais Rodoviários Federais, Policiais Ferroviários Federais, Polícias Civis e Corpos de Bombeiros Militares, além dos integrantes do sistema de segurança pública, Peritos Criminais, Agentes e Guardas Prisionais, Policiais Legislativos Federais, Agentes Socioeducativos, Agentes de Trânsito e Guardas Municipais

A questão da segurança pública foi uma das minhas bandeiras de campanha e tem sido uma grande luta na Câmara dos Deputados. Desde que o ministro Sérgio Moro assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública, obtivemos diversas vitórias na área como a significativa queda no número de crimes no País.

Nos quatro primeiros meses de 2019, o Brasil registrou queda em todos os nove crimes registrados na plataforma Sinesp. O número de homicídios caiu 21,2% e o número de latrocínios teve redução de 23,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram diversas ações exitosas que só foram possíveis com a ajuda e a eficiência dos nossos profissionais da área de segurança pública.

Também tenho trabalhado bastante para garantir investimentos para a área da Segurança Pública. Recentemente tive a satisfação de destinar cerca de R$ 1 milhão de reais para o Corpo de Bombeiros e para a Polícia Militar de municípios do estado de São Paulo, e isso é só um começo.

Uma das grandes bandeiras do PSL é a luta por mais segurança pública, e estamos lutando para aprovar pautas importantes nesse setor. Nosso objetivo é implementar ações para proporcionar melhores condições de trabalho, de dignidade e de direitos para esses profissionais. Reitero aqui o meu compromisso, como Conselheiro da Frente Parlamentar Mista em defesa dos agentes de Segurança Pública, de continuar trabalhando firme por um País mais seguro e mais justo para todos os brasileiros.

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