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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Os riscos e injustiças das curvas da estrada de Santos

Sistema Anchieta Imigrantes, administrado pela Ecovias, contempla dois distintos complexos viários cuja administração é financiada pela cobrança do pedágio mais caro do Brasil

Em 1969 o cantor Roberto Carlos, na canção “As curvas da Estrada de Santos”, falava de forma poética sobre a via Anchieta, que ligava o planalto às praias da Baixada Santista. Hoje, exatos 50 anos depois, pouco mudou no local, e o que era poesia virou sinal de alerta.

Trânsito pesado, alto risco de acidentes e insegurança. Você com certeza deve conhecer alguém que já passou por isso para chegar à Baixada Santista e que ainda foi obrigado a pagar o altíssimo valor do pedágio por cerca de 40 minutos de terror e tensão. 

O Sistema Anchieta Imigrantes, administrado pela Ecovias, contempla dois distintos complexos viários cuja administração é financiada pela cobrança do pedágio mais caro do Brasil. Os valores pagos pelos usuários são altos, mas os problemas são muitos, pois apesar de todos pagarem o mesmo preço, nem todos utilizam a moderna Rodovia dos Imigrantes. Assim, motoristas são obrigados frequentemente a correr os riscos de trafegar pela antiga Rodovia Anchieta durante as operações realizadas pela Ecovias semanalmente, pagando exatamente o mesmo pedágio daqueles que utilizam a Imigrantes.

A concessionária é responsável pela exploração e manutenção do sistema rodoviário, que possui 176,8 km de extensão, e pela prestação de serviços aos cerca de 2,5 milhões de veículos que circulam mensalmente pelo SAI (Sistema Anchieta Imigrantes). Grande parte desses usuários são semanalmente prejudicados pela implantação de operações que privilegiam uns em detrimento de outros, e beiram a inconstitucionalidade. A Região Metropolitana da Baixada Santista tem cerca de 2 milhões de habitantes. Desses, boa parte utiliza o sistema regularmente para trabalhar na Capital, paga o valor de R$ 26,20 pelo pedágio, mas com frequência é obrigada a usar a via Anchieta para descer a serra.

A rodovia Anchieta mantém o mesmo traçado desde que foi inaugurada. Ela praticamente não recebeu intervenções para acompanhar as mudanças que foram surgindo com o tempo, principalmente no que se refere ao tamanho e peso dos veículos que circulam por ela. O trecho de serra possui pouquíssimos locais para ultrapassagem, o que aliado a falta de fiscalização, acaba se tornando um convite para que motoristas e caminhoneiros infrinjam a lei e coloquem as suas vidas e a dos que ali estão em perigo.

Há algum tempo, a OAB Santos, reconhecendo a injustiça cometida pela Ecovias, tentou evitar a implantação da Operação Subida (2x8) que, geralmente, entra em vigor no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) aos fins de semana, para facilitar o retorno dos motoristas a São Paulo após viagens de final de semana e feriados prolongados para as cidades da Baixada Santista. Quando isso ocorre, a concessionária implanta a Operação Subida onde as duas pistas da Rodovia dos Imigrantes e a pista norte da via Anchieta ficam disponíveis para os motoristas que seguem no sentido da capital paulista. Já para os motoristas que desejam chegar à Baixada Santista, a única pista disponível é a sul da Anchieta. Na ocasião a Ordem dos Advogados apontou que oferecer a pista sul da Anchieta como opção única era além de absurda, inconstitucional.

Se houve uma falha da Ecovias na construção das pistas, é obrigação da própria concessionária corrigi-la. A Ecovias conhecia a frota e a demanda do sistema na época da construção da rodovia. A pista descendente da Imigrantes deveria ter sido projetada já com o intuito de atender, também, ônibus e caminhões. Se isso não foi feito, não tem cabimento penalizar o usuário por uma falha no projeto da concessionária. Há anos vem sendo feito dessa forma, a população questiona, os caminhoneiros reclamam, mas ninguém efetivamente toma uma providencia. 

Na última semana, na condição de membro da Comissão de Viação e Transporte (CVT) da Câmara dos Deputados, solicitei que fosse incluído nas discussões lá em Brasília o funcionamento do Sistema Anchieta Imigrantes. Vamos chamar a Ecovias para prestar os devidos esclarecimentos e cobrar da concessionária uma solução. Pagamos pelo pedágio mais caro do País e deveríamos receber por isso a prestação de um serviço de excelência. Mas será que é isso que tem sido feito? Parece que não. 

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