Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

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O fim da crise depende da conscientização da população

Existe a preocupação de todos nós com a retomada da economia, mas em primeiro lugar está preservar a vida das pessoas

Na última semana foi apresentado o plano de retomada econômica do Governo do Estado. O projeto dividia as regiões em categorias e condicionava a reabertura do comércio de acordo com essa classificação. A Baixada Santista foi classificada como bandeira vermelha, que é o mais restritivo de todos os critérios, e não permitiria que a região começasse a planejar a retomada econômica pelos próximos 15 dias. 

Eu, assim como todos os prefeitos da região, recebi o anúncio com estranheza, uma vez que o epicentro da pandemia no Brasil, a cidade de São Paulo, havia sido classificada como bandeira laranja, mas a Baixada, que se encontra em uma situação menos grave no que se refere ao número de casos e percentual de leitos disponíveis, não. 

Venho acompanhando muito de perto o enfrentamento à pandemia na região. E desde o início os chefes dos executivos dos nove municípios da Baixada Santista vem alinhados com as determinações do Governo do Estado. 

A cobrança dos prefeitos, que motivou o meu contato com o governador do Estado era pertinente, visto que os números apresentados pelo Governo Estadual não condiziam com a nossa realidade aqui na região. 

Contatamos o governador João Doria, que mais uma vez se mostrou uma pessoa bastante aberta ao diálogo, e ouviu não só o nosso pedido, como também dos prefeitos da região representados pelo presidente do Condesb, o prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa. 

O diálogo se mostrou o caminho mais curto para a resolução de qualquer impasse que poderia ter surgido. Com os números reais em mãos o governador de maneira técnica e democrática determinou que fossem avaliadas as novas informações enviadas pelo nove municípios da região.

Prevaleceram a ciência e o bom-senso. A alteração de bandeira vermelha para laranja será oficializada já na próxima terça-feira (2) pelo Estado. Essa reclassificação permite que os municípios da Baixada começarem a colocar em prática o plano de retomada econômica. Isso não significa dizer que tudo abrirá imediatamente, mas que de maneira organizada, gradual e segura comércio e empresas poderão ir planejadamente retomando as suas atividades. 

Os prefeitos tem demonstrado grande equilíbrio para conduzir essa reabertura sem que sejam deixados de lado os cuidados para combater a Covid-19. 

Existe uma imensa preocupação de todos nós com a retomada da economia, mas em primeiro lugar está preservar a vida das pessoas. Os prefeitos da Baixada tem agido com absoluta responsabilidade desde o início da pandemia. Se eles pediram um novo olhar sobre os números, entendemos que é porque isso é possível, porque as cidades tem leitos para atender à população, e porque o número de casos da Covid-19 está dentro do esperado pelos municípios. 

Nenhum tipo de conflito em um momento de crise é bem-vindo.  A região depende muito do apoio do Governo do Estado que, até este momento, sempre se mostrou parceiro e sensível às dificuldades que temos enfrentado aqui. Nesse caso, o que os prefeitos da região pediram foi que fosse revista a classificação da Baixada Santista como “bandeira vermelha” com base nas informações atualizadas e reais da região, pois os números apontados pelo governo apresentavam equívocos. 

Conversamos por diversas vezes com o presidente da Associação Comercial de Santos e representantes de sindicatos de toda a Baixada e estamos cientes do cenário e das dificuldades. Eles estão todos muito dispostos a não medir esforços para se adequarem às medidas de higiene e distanciamento necessárias para a reabertura. 

Eu estou certo de que com diálogo vamos resolver essa questão sem que ninguém seja prejudicado. Muito tem se falado em isenção de IPTU e outros tributos durante a pandemia. Existem discussões sobre o assunto, mas não é algo que se defina do dia pra noite levando em conta a queda abrupta de arrecadação dos municípios e o grande aumento de despesas para o enfrentamento à pandemia. Não adianta ir a público e falar bonito sem levar em conta a realidade. Discursos populistas e pouco eficientes são a última coisa que o Brasil precisa neste momento.

A partir de agora viveremos uma nova realidade onde beijos, abraços e apertos de mãos serão substituídos por acenos, mantendo sempre a distância de segurança, máscaras e álcool gel.

Agora o desafio dos prefeitos será conscientizar a população sobre a nova realidade para não corrermos o risco de retroceder na saída desta crise. Não só o morador da Baixada, mas o brasileiro em geral, vai ter que ter em mente que a realidade que existia antes da pandemia mudou, hoje temos um novo normal, um novo cotidiano, com novas regras de convivência que precisam ser respeitadas. Se as pessoas entenderam isso, sairemos dessa pandemia mais rápido e menos impactados.

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