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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Nem crime e nem castigo

Não existe ilegalidade no fato de juízes e procuradores expressarem as suas opiniões pessoais, até porque as pessoas públicas têm o mesmo direito à privacidade que os demais cidadãos

Dostoiévski, em 1866, no clássico da literatura Crime e Castigo, já fazia uma profunda reflexão sobre a moral e questionava até onde podem ir os homens tomando decisões acima da legalidade. Na última semana nenhum assunto ganhou tanto espaço na mídia quanto às publicações realizadas no site The Intercept que apontam mensagens supostamente trocadas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e integrantes da força-tarefa da Lava Jato no período em que Moro ainda era juiz.

Muito me preocupa que os rumos de uma possível espetacularização desta pauta acabe por deturpar a importância e grandiosidade da maior operação de combate à corrupção que o nosso país já viu. É preciso ter muito cuidado para não cometer o equívoco de perder o foco e inverter os papéis apontando o dedo para os que denunciaram os criminosos que destruíram o Brasil. 

É muito difícil garantir que diálogos não foram forjados, que nada do que foi divulgado trata-se de fake news, simplesmente porque estamos falando de conteúdo divulgado anonimamente por hackers, que são criminosos que não tem absolutamente nenhum compromisso com a ética. Não se pode fazer nenhum julgamento antecipado baseado em mensagens descontextualizadas. O gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato não pode se dobrar a nenhum tipo de chantagem ou tentativa de deturpar a verdade. 

O que fica cada vez mais claro com os recentes acontecimentos é que a esquerda vem tentando utilizar o hackeamento e vazamento das conversas privadas de membros da operação Lava-Jato como muleta para a corrupção, e argumento de defesa para a liberação do ex-presidente Lula da prisão. O que estão tendendo fazer é usar o caso para ludibriar e confundir o povo. 

O fato de um hacker invadir a privacidade de cidadãos e roubar as suas informações, posteriormente as divulgando para um jornalista é além de ilegal, imoral. A esquerda está tentando criar falsas equivalências entre as supostas trocas de mensagens entre o ex-juiz e procuradores para questionar a legalidade do caso em que Moro, enquanto ainda era juiz, havia decretado a divulgação dos áudios em que a então presidente, Dilma Rousseff, tramava com Lula a sua ida para a Casa Civil a fim dar a ele o foro privilegiado. 

É fundamental que fique claro que não existe qualquer equivalência de valores, simplesmente porque no caso de Sérgio Moro falamos de áudios vazados que foram obtidos de forma lícita no decurso de uma investigação criminal. No caso do conteúdo publicado pelo The Intercept trata-se de um crime, de invasão ilícita da privacidade alheia. 

Além do mais, em absolutamente nenhum momento da conversa que foi divulgada existe menção à forja de provas ou a inculpação de inocentes. Portanto, no que se refere às denúncias substanciais que envolvem Lula e os demais presos por conta da operação Lava-Jato, não existe nem um único indício de que se trata de uma inculpação de inocentes. Todas os fatos relatados nas peças acusatórias continuam, portanto, inalterados.

Não existe ilegalidade no fato de juízes e procuradores expressarem as suas opiniões pessoais, até porque as pessoas públicas têm o mesmo direito à privacidade que os demais cidadãos. 

O vazamento dessas mensagens despertou uma euforia generalizada que tomou conta dos corruptos que se apegam ao fato em uma tentativa maquiavélica de deturpar a realidade para absolver seus atos de corrupção. 

A única coisa que se sabe ao certo, até agora, é que essas conversas foram obtidas mediante ação criminosa. É falso que o Telegram tenha comunicado que não há evidências de que o aplicativo tenha sido hackeado. A publicação enganosa que começou a circular nas redes sociais contém diversos erros de ortografia e foi reconhecidamente, pela empresa, adulterada. 

Agora lhe pergunto, em que lugar do mundo um homem cumprir o seu dever e aplicar a lei no combate à corrupção é crime? 

Por tudo isso entendo que o Ministro Sérgio Moro deve se manter firme em seu propósito e não ceder às pressões daqueles que querem desmoralizar o establishment e todos os avanços que tivemos até aqui na luta contra à corrupção.

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