Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

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Em meio à pandemia, Educação acende sinal de alerta

Cerca de 180 mil escolas por todo o país seguem sem aula presencial

Há três meses os mais de 47 milhões de brasileiros matriculados nas cerca de 180 mil escolas do país estão sem aula presencial. Dos 200 dias previstos do ano letivo, 60 já se passaram e o cenário que vemos hoje para o retorno das aulas é desanimador. Com um terço do ano letivo decorrido à distância e uma imensa parte da população sem acesso à uma conexão de internet que permita acompanhar às aulas on-line, praticamente não há opções para que crianças e adolescentes continuem o aprendizado sem que as aulas sejam retomadas.

Analisando o que vimos ao redor do globo, em países muito menos afetados que o Brasil, que hoje já ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos e óbitos pela Covid-19, não consigo sequer arriscar um palpite para a reabertura de escolas. Em Nova Iorque, nos EUA, por exemplo, a previsão é que a reabertura das escolas só ocorra em setembro deste ano. No Reino Unido a reabertura ocorreu no início deste mês e gerou grande polêmica. Na França a decisão de reabrir prematuramente obrigou o governo a fechar algumas semanas depois.

Aqui no Brasil, um país onde não se vê o Governo Federal apresentar qualquer planejamento ou estratégia para atravessar a pandemia, nos causa imensa preocupação com que critérios e quando serão reabertas as escolas, quais serão os protocolos de higiene e as regras de convivência entre as crianças.

É fato que a dinâmica das escolas favorece o contágio e disseminação do novo coronavírus porque crianças e adolescentes tem muito maior contato físico do que adultos. Quando falamos em retorno das aulas estamos também falando em colocar um quarto de toda a população brasileira de volta nas ruas. Ainda que a grande maioria das crianças e jovens, segundo apontam os principais estudos sobre o novo coronavírus, não desenvolva formas graves da doença, eles são importantes vetores que podem favorecer muito a disseminação. Por isso qualquer conversa sobre a retomada das atividades escolares durante a pandemia deve ser amplamente discutida por especialistas da Educação e também da Saúde, para que qualquer movimento só ocorra de forma responsável e segura.

O caminho mais fácil para o Governo Federal é simplesmente deixar as escolas fechadas como já estão. Dessa forma não é preciso recorrer à ciência, estudar qual o caminho mais seguro para a reabertura e encontrar uma nova dinâmica para minimizar a exposição dos alunos enquanto estiverem na escola. O Palácio do Planalto não demonstra nenhuma preocupação em definir uma estratégia para a Educação na pandemia que, aqui no Brasil, de crise sanitária, já virou crise econômica e agora se transforma em crise educacional.

O país tem hoje cerca de 5 milhões de crianças e adolescentes que não tem acesso à internet em casa. O risco de não se fazer nada para a retomada do ensino presencial é condenar esses estudantes a perderem por completo o ano letivo.

Contudo, a problemática da reabertura das escolas vai mais além. Não se pode esquecer que no Brasil, quase metade dos lares são sustentados por mulheres e, pelo menos 6 milhões de estudantes não tem o nome do pai na certidão, o que mostra que a mãe é a única provedora desta família. Diante disso, a reabertura das escolas além da questão educacional tem também implicações na economia. Onde essas mães que são responsáveis pelo sustento das famílias vão deixar os seus filhos para voltarem a trabalhar?

São uma série de fatores que precisam ser avaliados e estudados pelos governos, o que não se pode fazer é ignorar que temos centenas de milhares de estudantes fora da escola e que precisa ser pensada uma estratégia de como será feita a retomada das atividades escolares. O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, no vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril que foi amplamente divulgado pela mídia nacional, se mostrou muito entusiasmado para falácias politiqueiras, mas não vimos em toda a reunião um projeto para o setor da Educação.

Não adianta falar em revolução digital, em novo modelo de educação on-line, em um país onde grande parte das escolas ainda utiliza lousa de giz. A questão vai além de entregar tecnologia nas escolas, estamos falando em uma cultura de ensino à distância que simplesmente não existe no Brasil. É fato que será necessário um amplo investimento dos governos neste setor, mas mudar a cultura educacional de um país não é algo que acontece do dia para noite. Neste momento precisamos de respostas rápidas.

Pais, alunos, professores, todos estão sentindo duramente os efeitos da pandemia. Neste momento onde as famílias tem tido a oportunidade de acompanhar mais de perto a árdua missão dos professores, se podemos tirar alguma coisa de positiva de tudo isso, sem dúvida a importância do papel da escola e a valorização do professor são as principais delas. A Educação no país acendeu o alerta, se não tomarmos providências imediatas é impossível calcular os prejuízos que o Brasil terá no setor a curto, médio e longo prazos.

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