Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

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Arroz e feijão não são artigos de luxo e tem que estar acessíveis a todo brasileiro

Brasil começa a vivenciar uma alta desenfreada no preço de itens básicos da mesa do brasileiro

Fazer as compras do mês ou mesmo da semana está cada vez mais complicado para grande parte dos brasileiros. Não bastasse o poder devastador da pandemia que deixou centenas de milhares de desempregados, o Brasil começa a vivenciar uma alta desenfreada no preço de itens básicos da mesa do brasileiro como o arroz e o feijão.

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A dona de casa e o trabalhador vêm assistido o seu dinheiro “encolher” enquanto chega o temor de ter que tirar da mesa alimentos essências para o sustento da família como o arroz, que hoje está sendo vendido a preço de ouro. 

Escassez de produto, a pandemia, o aumento de consumo nas residências e a desvalorização do real favorecendo as importações, tudo isso ocorreu, mas o povo não precisa de culpados e sim de soluções. O produtor, lá na outra ponta reclama de dívidas e abandono por parte do governo federal, já nesta ponta, no caixa do supermercado, o pai de família se vê em dificuldades para continuar colocando arroz e feijão na mesa de casa. 

O fato é que em 2019 o Brasil exportou 269.164,9 toneladas de arroz, segundo dados do Comex Stat do Ministério da Economia. Já entre janeiro e agosto de 2020 o montante chegou a 487.428,8 toneladas. O arroz que era negociado entre R$ 48 e R$ 52 o saco, agora chega a ser negociado a mais de R$ 100 no mercado interno. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), na última quinta-feira (10) a cotação era de R$ 105.

O Ministério da Agricultura anunciou na última semana uma medida para conter a alta dos preços, limitando a isenção de taxas de importação a 400 mil toneladas de arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro. Entretanto o buraco é mais embaixo. O produtor segue questionando que o governo tirou a TEC (Tarifa Externa Comum) para importação, mas para os nossos insumos ainda existem várias TECs, em diversos produtos que não podem importar. Essa é uma antiga reivindicação no Mercosul, poder comprar e produzir com igualdade, algo que não se vê no Brasil. 

O resumo do cenário é que ao chegar no mercado hoje a dona de casa encontra o arroz cerca de 20% mais caro desde o início do ano, o preço do feijão mulatinho subiu 32,6%, o da abobrinha, 46,8%, e da cebola, 50,4%, segundo dados divulgados na última pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto o cenário de inflação assusta, o presidente Jair Bolsonaro teve outra famigerada ideia para conter a alta de preços: pedir aos donos de supermercados patriotismo para não repassar a alta dos valores ao consumidor. Diante de tudo que falamos acima e dos preços cerca de 50% mais caros cobrados pelo produtor, faz algum sentido querer que o dono do mercadinho da esquina, em um arroubo de patriotismo, não aumente o preço dos itens? É claro que não! Muito fácil colocar a responsabilidade do problema na conta dono do mercadinho de bairro. Quem precisa ter patriotismo é o presidente da república e entender de uma vez por todas que a economia do Brasil vai de mal a pior e que ele precisa tomar uma atitude antes que falte o básico na mesa do povo brasileiro

Não dá pra resumir o problema do salto de preços de itens essenciais da cesta básica na falta de patriotismo dos donos de supermercado. A questão vai muito além, estamos enfrentando uma crise causada pelo aumento da demanda e escassez de produtos em virtude do grande aumento nas exportações e diminuição das importações motivadas pela alta do dólar. Presidente, o que resolve isso é política econômica do governo federal e não populismo. Não tem cabimento querer que os donos de mercados resolvam uma questão que compete à presidência da república.

Outra questão que virou discurso de político foi a troca do arroz por macarrão. Fácil falar em substituir o arroz pelo macarrão para forçar o preço do grão para baixo. Mas vamos bater na casa do pai de família e avisar para ele que a partir de amanhã as crianças não terão mais arroz com feijão, que será macarrão com feijão? Presidente Bolsonaro, o senhor substituiu na sua mesa? No prato dos seus filhos? Cerca de 95% dos brasileiros comem arroz, é um disparate pedir que o brasileiro deixe de comer arroz e feijão para resolver o problema da alta abusiva de preços. 

Outro detalhe que parece ter sido esquecido com essa sugestão estapafúrdia é que o macarrão é feito de farinha de trigo, e grande parte do trigo consumido do Brasil é importado. Em um momento de real desvalorizado isso significa pagar mais pelo grão em real e encarece o valor médio dos derivados. 

As soluções propostas pelo governo para controlar a alta dos preços causam espanto e precisam ser freadas, pois transferem para as famílias brasileiras, em meio a uma crise econômica, o ônus de pagarem pelo aumento de produtos tão básicos e tão importantes.

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