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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

Agora sabemos quem é quem. As máscaras caíram!

Muitas foram as manifestações surgidas após a divulgação, na tarde da última sexta-feira (22), do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

O material tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, é apontado como uma das principais provas do inquérito que apura se houve tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal para obter informações sobre investigações que pudessem prejudicar seu núcleo familiar. 

A gravação atinge como uma bala o presidente da República, Jair Bolsonaro, porque deixa claro que houve, sim, tentativa de interferência nas ações da Polícia Federal, confirmada dias depois com as mudanças realizadas no quadro da PF. E mais que isso, mostra a fragilidade de um governo cujo líder maior demonstra total desinteresse pela crise que o país atravessa, pelo povo brasileiro e pelas vidas que vem sendo ceifadas. 

Visivelmente ninguém no Governo, nem o Bolsonaro e nem os seus ministros, estavam preocupados com o imenso número de brasileiros morrendo diariamente de Covid ou com o desemprego afetando gravemente toda a sociedade e, em especial, os mais pobres.

A única preocupação que ficou evidenciada nos vídeos foi a de se “aproveitar” de um momento de catástrofe para mudar a legislação na Amazônia, mandar prender prefeitos e governadores, incitar uma guerra civil e, caso o governo seja pressionado, lançar um golpe contra a democracia. 

Esse foi o entendimento da grande maioria da sociedade sobre a reunião ministerial marcada por palavrões, briga de ministros, anúncio de distribuição de cargos para o Centrão e ameaça do presidente Jair Bolsonaro de demissão ‘generalizada’ de quem não defendesse o seu ponto de vista. 

Em nota divulgada no último sábado (23) a Associação Juízes para a Democracia (AJD), repudiou as manifestações expressas na reunião ministerial que classificou como uma “escalada do autoritarismo” no Brasil. A entidade alerta que existe um possível “golpe de Estado” em curso no país e defende “afastar dos postos de poder pessoas que atuam apenas movidas por interesses próprios ou que colocam a economia acima da saúde da população brasileira”.

Em um momento de luto nacional, na qual o Brasil bate recordes diários de mortos pela Covid-19, a reunião ministerial mostrou zero debate ou planejamento para o enfrentamento à pandemia. Em contrapartida o encontro foi um festival de insanidades, com destaque para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que pediu a prisão dos integrantes do STF e se referiu aos ministros como ‘vagabundos’.

A ministra  da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, também não deixou por menos e mostrou que está com o pensamento 100% alinhado ao do chefe máximo da nação, pedindo que governadores e prefeitos sejam colocados na cadeia por medidas tomadas para combater a disseminação do coronavírus. Pasmem, o festival de atrocidade não parou por ai. Ainda tivemos Ricardo Salles, que comanda a pasta do Meio Ambiente orientando aproveitar a ‘oportunidade’ que o governo federal ganha com a pandemia da doença ocupando o foco central na mídia para ‘ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas’ ambientais. 

Para complementar os despautérios que podem ser chamados de muita coisa, menos de discursos nacionalistas, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a venda do Banco do Brasil e sugeriu que o caminho para o incentivo ao Turismo no país é deixar ‘cada um se Fo%&$ do jeito que quiser’.

Depois de ouvir tudo isso, o que fez o presidente da república, enquanto líder máximo da nação? Encerrou o festival de horrores com chave de ouro dizendo com todas as letras que “Aqui é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bo%#& de um prefeito faz uma bo%#& de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se estivesse armado, ia para a rua”. 

Com essa mensagem Jair Bolsonaro que, na qualidade de presidente da República, deveria ser o primeiro a zelar pela democracia, ordem e segurança da nação faz exatamente o oposto e deixa claro sua intenção de colocar em prática uma guerra civil. 

De acordo com a sua mente atormentada, prefeitos e governadores que estão lutando para impedir o colapso do sistema público de saúde, para não verem a sua população morrer em massa, são ditadores. Assim como ele entende que são ditadores e autoritários todos aqueles que não pensam como ele. Então, a ordem dada por Bolsonaro foi armar todo mundo no país inteiro e incitar o ódio para colocar as pessoas nas ruas matando umas às outras de acordo com a ideologia que defendem. Não me recordo de ter ouvido absurdo maior desde o fim da ditadura militar a retomada na democracia no País.

Cidadãos brasileiros não são massa de manipulação. Não se deixarão levar pelo discurso desequilibrado de alguém que age como um tirano incitando as pessoas a se armaram e irem para as ruas. Ele e todos nós sabemos onde isso iria acabar...  sangue e mais mortes. Nem neste, e nem em mundo algum é possível estar de acordo com algo assim.  

Não existe mais condição de governabilidade. O povo brasileiro vive sob a ameaça do líder máximo da nação e seu grupo. Escrachadamente desrespeitam as instituições democráticas, Congresso Nacional e STF. Desrespeitam o povo! 

Agora, para aqueles que ainda tinham alguma dúvida sobre o saldo da divulgação do vídeo, ressalto que as máscaras caíram! Sabemos quem é quem e sabemos o principal: Bolsonaro MENTIU e Moro disse a VERDADE.

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